A sério, não vale mesmo a pena

Não deve haver imagem mais irritante para quem é fã de vídeos musicais do que estas omnipresentes mensagens que indiciam a vã tentativa das editoras discográficas em controlar a difusão dos clipes das suas bandas. Em primeiro lugar, fica a pergunta: se um vídeo musical é um veículo promocional, porquê limitar a sua difusão? Esta atitude é comparável à uma hipotética ordem de Belmiro de Azevedo para retirar cartazes do Continente que tivessem sido espalhados gratuitamente pelos seus potenciais clientes pelas ruas de um determinado país. Ou seja: não faz sentido nenhum. Em segundo lugar, o referido esforço é sempre (mas sempre) em vão. Isto porque as editoras ignoram (ou fazem de conta que ignoram) as potencialidades participativas da Web Social. Não há mesmo nada a fazer: um fã de um determinado produto cultural irá sempre fazer o que for preciso para almejar a fruição do objecto que deseja e, no caso das plataformas digitais, pode sempre contar com a ajuda dos seus pares para atingir esse objectivo comum.

Um exemplo recente: a EMI carregou há dias para o canal Vevo do YouTube o novo vídeo musical de um dos seus artistas (Alex Metric), limitando o seu acesso a alguns países (entre os quais se inclui Portugal). No mesmo dia, um utilizador volta a carregar o mesmo vídeo no YouTube, fora do canal Vevo. Algumas horas depois, o portal, a pedido da EMI, retira esse conteúdo alegando (falsamente) o facto de o acesso ao mesmo não estar disponível em Portugal. Ou seja, parecia que qualquer utilizador a aceder à Web a partir do território nacional teria de, forçosamente, ir à página oficial do Vevo. Mentira: em menos de 30 segundos, uma simples pesquisa no Google permitiu-me encontrar o referido vídeo aqui (com melhor resolução) e, melhor ainda, aqui (onde até posso fazer o descarregamento do vídeo em QuickTime e tudo).

Ou seja: editoras discográficas, why bother? Não apenas é um gasto infrutífero de dinheiro e energias, como esses exercícios censórios trazem ainda mais má fama à já consideravelmente deteriorada reputação da indústria musical.

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