A relação entre os vídeos musicais e os genéricos televisivos terá sido pela primeira vez identificada por John Fiske no capítulo «Carnival and Style» da sua obra Television Culture (1.1 FISKE 1987). Fiske estende a ausência de produção homogénea de sentido que tinha identificado no vídeo musical aos genéricos («title sequences») e aos spots publicitários sob o pretexto destes três formatos televisivos partilharem duas características fundamentais: a de promoverem um bem («commodity») e a de terem sido produzidos para serem fruídos diversas vezes durante um determinado período de tempo. Estas características têm como consequência a partilha de diversas características estilísticas, conformando-os como potenciais textos producentes, isto é, textos que exigem um assinalável esforço criativo por parte dos telespectadores que desejam empenhar-se na sua fruição, aqui conceptualizada como um acto de leitura (1.1 FISKE 1987: 251).
Ora a convergência dos vídeos musicais na Web Social, tornou ainda mais visível esta similitude estética e estrutural entre os dois formatos, tendo sido recorrente o surgimento de vídeos musicais que mais não são do que imaginativos exercícios de justaposição de diversos genéricos, sejam eles cinematográficos ou televisivos. Deixo-vos aqui 3 exemplos particularmente engenhosos para faixas de Dan Black, Justice e Buck 65.
nunca tinha pensado nisso. gostei particularmente do terceiro.:-)
Assim de repente, lembrei-me também deste:
Excelente exemplo. Ainda para mais porque não o conhecia. Há também o exemplo de um dos últimos clipes do Kanye West inspirado num genérico de um filme do Gaspar Noé (depois venho cá colocar o link).
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