Vimeo Music Store

O título diz tudo: a mais recente funcionalidade do Vimeo permite aos utilizadores adquirir e acrescentar faixas sonoras, catalogadas por palavras-chave, aos seus vídeos.

Transtextualidade videomusical: uma primeira abordagem

Um belo clipe nacional acabadinho de sair realizado por Luís Calçada e Dinis Costa para o projecto Moullinex vai servir como pretexto para começar a abordar a densa teia de relações transtextuais entre diversos vídeos musicais. Mas primeiro, vejamos o vídeo:

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Este clipe possui uma técnica de representação imagética ou cinematográfica muito peculiar apelidada de one shot (ou plano-sequência). Teóricos como Jacques Aumont, Michel Marie e André Bazin (2.2 Aumont et al. 2008: 231-232), identificaram com grande argúcia duas potenciais características que separam o plano-sequência do plano longo (unidos pela sua duração): 1) a sua narratividade (algo tem de acontecer nele) e 2) a profundidade de campo (ilusão óptica que permite a focalização de diversos elementos contidos em planos distintos). Ora, o vídeo musical dos Moullinex articula estas duas características através de um artifício cinematográfico oriundo da videomusicalidade (o fake one shot) que consiste num zoom-in progressivo feito num plano original que vai dando origem a um sucessão de planos concêntricos nos quais vão sendo esboçadas diversas narrativas. Como é óbvio, esta técnica é um artifício na medida em que nenhuma lente consegue penetrar de forma tão profunda num plano e resulta da aplicação de uma série de efeitos especiais aplicados na posterior edição das imagens. Esta técnica terá sido pela primeira vez utilizada por Michel Gondry em 1993 no clássico Je danse le Mia do grupo de hip-hop francês MIA e viria a ser utilizado inúmeras vezes no cinema (ver, por exemplo, este famoso zoom-out de David Fincher) e, como não podia deixar de ser, em outros clipes, sendo provavelmente este o mais famoso:

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Tudo isto apenas para provar que uma simples técnica de representação imagética é quanto baste para estabelecermos relações transtextuais entre um vasto conjunto heterogéneo de vídeos musicais. Esta é, obviamente, apenas uma pequena ponta do iceberg. Fica a promessa de aqui voltar com mais exemplos de transtextualidade videomusical.

Duck Sauce: «Big Bad Wolf» (Keith Schofield, 2011)

Tal como em 2008 e 2009, o meu clipe favorito deste ano tem, como não podia deixar de ser, a assinatura de Kevin Schofield. Os videófilos já podem acrescentar um novo termo ao seu léxico: crotchface. É ver para crer:

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Também vale a pena ver esta pequena compilação de reacções ao vídeo. Fica assim provado que não faltam recursos para estudos de recepção digital da videomusicalidade.

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A ler: esta pequena introdução a esta maravilha na Rolling Stone. Nunca a palavra dickhead foi usada com tanta propriedade.

YouTube + WeVideo

Ora aqui está uma notícia relevante: a integração do WeVideo no YouTube. O YouTube já possuía uma série de aplicativos que permitiam a criação e edição de vídeos, mas o WeVideo é a primeira plataforma colaborativa totalmente localizada na nuvem (cloud-based). Não deixa de ser curioso (e significativo) que na sinopse inserida no YouTube (supra-reproduzida), a primeira possibilidade de combinação referida ser a de imagens com música.

Vale bem a pena experimentar: as potencialidades do software são infindas e muito user-friendly: vejam este pequeno tutorial. Algo me diz que vamos assistir nos próximos tempos a uma avalanche de criatividade vernacular no universo dos vídeos musicais.

Sobre a operacionalização da aplicação da teoria fundamentada em dados ao método etnográfico no campo de estudo dos media digitais: uma pequena bibliografia

Tendo andado meio arredado destas paragens. E porquê? Porque resolvi finalmente aprofundar o design do meu projecto de investigação, sobretudo a parte relativa aos métodos de operacionalização.

Durante algum tempo, optei por ignorar algumas observações ou críticas que me foram apontadas não apenas na defesa do projecto de investigação como nos seminários do programa doutoral. No entanto, à medida em que avançava na redacção do terceiro capítulo da tese, percebi que havia imensa informação, pressupostos epistemológicos e opções metodológicas que não estavam devidamente explicitadas no sub-capítulo dedicado ao design de investigação.

Por isso, há cerca de dois meses, resolvi encher-me de coragem e iniciar uma re-escrita dessa parte da tese. Deu (e ainda está a dar) imenso trabalho, claro, mas valeu a pena. Neste momento, estou na fase final da redacção do referido sub-capítulo e a luz ao fundo do túnel já se transformou num genuíno farol: das 5 páginas originalmente dedicadas ao tema, já vou perto das duas dezenas. Para os eventualmente interessados em aprofundar a (importantíssima) questão da operacionalização da aplicação da teoria fundamentada em dados (grounded theory) ao método etnográfico no campo de estudo dos media digitais, deixo aqui a lista das principais obras que consultei (e que, culpa mea, não resisti a adquirir) nos últimos dois meses.

Naturalmente, é expectável que a secção do blogue dedicada ao design de investigação venha a sofrer algumas profundas alterações nas próximas semanas. Mas, para já, vamos à listinha. Oxalá alguém faça bom proveito da mesma.

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