Em 1991, os Pixies estavam determinados em não filmar mais vídeos musicais para os seus singles. Após uma discussão acesa com os responsáveis da sua editora nos Estados Unidos, a Elektra Records, a banda acabaria por concordar em filmar um vídeo, desde que o mesmo fosse feito num único take e ao vivo:
By completely live that means full band, vocals, cameras roll, video’s done by the end of two minutes and 13 seconds. One take, that’s it. So those became the ground rules, that was the only way you were going to get a Pixies video for ‘Head On’ or anything else. (Peter Lubin)
Perante esta limitação de um único take, Peter Lubin e Scott Litt resolveram colocar doze câmaras que registrariam, a partir de diferentes planos e enquadramentos, uma sessão de gravação com, literalmente, 2m13s de duração. O resultado foi um vídeo musical decididamente próximo da videoarte devido à dimensão analítica e desconstrutivista da sua abordagem minimalista. Ao dividir a banda no écran pelos seus elementos e cada membro em três blocos de imagens distintos, tornam-se evidentes os tiques, maneirismos e expressões faciais típicos de uma performance em palco. É esta, de resto, a grande virtude de «Head On»: elimina a ilusão de plenitude dos vídeos musicais performativos, isto é, a sensação de estar a ser oferecido ao telespectador tudo o que há para ver.
e eliminada a ilusão de plenitude – resta, em blocos, a plenitude. :-)