
E há para todos os gostos. Em primeiro lugar, um elogio para a Orfeu Negro que publicou duas traduções portuguesas de obras de referência: A Arte da Performance de RoseLee Goldberg (que já vai na 2.ª edição) e A Poética da Dança Contemporânea de Laurence Louppe. São obras clássicas de grande fôlego que abordam, o primeiro mais numa perspectiva historicista e o segundo através de uma abordagem manifestamente mais teórica, a arte da performance e da dança contemporânea. Os dois temas são, como é óbvio, tangentes ao universo da videomusicalidade: não raras vezes, o formato videomusical funciona como um registo audiovisual de exercícios performativos coreografados e, por exemplo, uma das videografias de maior sucesso do processo da convergência videomusical na Web Social (a dos Ok Go) guia-se por uma poética que assenta precisamente nesta dupla dimensão. A importância destas duas obras no meu projecto de investigação prende-se precisamente com o facto da videografia musical dos Ok Go ser um dos seus casos de estudo. O preço das obras é que é, para variar, proibitivo: as edições originais estão disponíveis por metade do preço. Mas o cuidado e rigor de ambas as edições quase que compensam a exorbitância.
The Gift. Creativity and the Artist in the Modern World de Lewis Hyde é uma obra que cheguei tarde, muito tarde, mas cuja leitura (em processo) irá sem dúvida enriquecer algumas páginas da minha tese. A obra, inicialmente publicada em 1979, destinava-se sobretudo a abordar o labor poético que, na época, era o exemplo paradigmático de como uma obra de arte é sobretudo uma dádiva e não um bem económico: «a work of art can survive without the market, but with no gift there is no art» (p. xvi). Está bom de ver que as reflexões de Lewis Hyde viriam a ganhar uma importância ímpar com a emergência das plataformas digitais que trouxe enormes desafios à mercantilização (“comodification”) ou a transformação em produtos de uma economia de mercado das criações artísticas – e os vídeos musicais são um caso flagrante dessa realidade. É por isso que prefiro o termo “dádiva” a “doação” para traduzir a noção hydiana de “gift”, na medida em que é o que melhor recobre a sua bissemia: a de oferta e de dom ou talento. Acho que nunca li uma obra tão à frente do seu tempo.
Finalmente, Viral Loop de Adam L. Penenberg é um dos maiores pastelões que li na minha humilde vida. É uma obra destinada a marketeiros (pun intended) sedosos de descobrir a arte da viralidade na era da mediação tecnológica (sobre o tema remeto novamente para este meu texto). A novidade desta obra em relação às restantes do mesmo género (e não falo aqui dos estudos meméticos, mas sim dos livros de marketing viral) é o facto de Penenberg procurar compatibilizar a noção de “espalhabilidade” (spreadibility) de Henry Jenkins com a de viralidade – tarefa simplesmente impossível, na medida em que o conceito foi, precisamente, desenvolvido como uma crítica à metáfora viral. Sintomático é o facto de Henry Jenkins não ser jamais citado ou sequer referido na obra, o que faz com que um leitor menos esclarecido possa julgar que o conceito é da autoria do menino. Enfim, lamentável. E a evitar a todo o custo.
As décadas de 40 e 50 são dos períodos menos estudados da relação entre a televisão e a música popular. Há razões para isso: a famosa aparição de Elvis Presley no The Ed Sullivan Show em 1956 constitui um marco irresistível para quem se dedica a estudar o tema e leva muita gente a subestimar o período formativo da referida relação.
Vai finalmente sair no próximo dia 21 de janeiro a obra de Henry Jenkins, Sam Ford e Joshua Green intitulada
Acabo de concluir a leitura do novo livro de José Afonso Furtado. Apesar de não o conhecer pessoalmente e de nem sequer seguir o seu fervilhante e celebérrimo 





