Caseiro e de trazer por casa

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Como já tive a oportunidade de referir anteriormente, o primeiro número da ESC:ALA inclui um artigo meu sobre um caso de estudo que é simultaneamente único e exemplar na forma como ilustra as vicissitudes da convergência do formato videomusical para as plataformas digitais.

O referido artigo consiste numa adaptação do primeiro caso de estudo da tese que irei defender, se tudo correr bem, no início do segundo semestre deste ano. O artigo, por sua vez, teve a sua génese neste blogue através de um dos primeiros posts que aqui escrevi no distante dia 24 de Janeiro de 2011 e isso numa altura em que ainda estava longe de ter uma ideia definida dos casos de estudo que iria incluir na minha dissertação.

É de facto impossível sobrevalorizar a importância que este blogue teve ao longo dos últimos três anos da minha investigação. Caso haja por aí algum leitor em vias de se meter na aventura de escrever uma tese, já sabem: vale mesmo a pena criar um blogue e utilizar os posts para escrever memorandos ou meras notas de investigação. Quando derem por ela e se sentarem para escrever a tese, já terão metade do trabalho feito no HTML.

    TÍTULO
    Caseiro e de trazer por casa: a odisseia videomusical de Average Homeboy

    AUTOR
    João Pedro da Costa

    RESUMO
    Após ter sido recusado para ser teledifundido pela MTV em 1989, o vídeo musical caseiro Average Homeboy de David Hazen tem vindo a transformar-se, desde 2006, num dos maiores fenómenos de popularidade do YouTube. O presente artigo pretende, a partir de um exercício transdisciplinar com os Estudos Literários, articular uma análise comparativa entre as relevantes diferenças contextuais das referidas tentativas de difusão com uma análise textual e transtextual do vídeo musical. O objectivo final deste exercício é fornecer algumas pistas relevantes para explicar, por um lado, a recusa inicial da televisão musical em teledifundir Average Homeboy e, por outro, o sucesso da sua posterior difusão na Web e nas redes sociais.

    PALAVRAS-CHAVE
    vídeo musical, televisão musical, Web, YouTube, redes sociais, kitsch, camp, cool.

    REFERÊNCIA
    COSTA, João Pedro da; (2014), Caseiro e de trazer por casa: a odisseia videomusical de Average Homeboy, ESC:ALA - Revista electrónica de estudos e práticas interartes, Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, n.º 1.

Descubra as diferenças

Foi uma bela jogada de marketing por parte do 180 Creative Lab terem escolhido no passado mês de Setembro o Mac DeMarco para protagonizar um vídeo realizado por grande Hiro Murai (sobretudo porque o tema é inédito e apenas irá sair no próximo mês de Abril). O vídeo foi integralmente filmado numa tarde na bela cidade de Guimarães (ou arredores).

Se a façanha funcionou do ponto de vista da assinalável visibilidade que o canal 180 e o seu bendito Creative Lab ganharam esta semana, o resultado não apenas não corresponde às expectativas, como é verdadeiramente constrangedor, na medida em que copia integralmente a ideia original que é a razão de ser deste clássico absoluto. Sinceramente, esperava-se mais, muito mais, de um vídeo que envolve gente como o talento e gabarito de Hiro Murai e Mac DeMarco. Estou inconsolável.

Um par de crónicas no P3

430353_338200222888835_1279439937_nSaíram esta semana duas pequenas crónicas da minha autoria no P3. O repto foi lançado ao portal pelo Hilário Amorim (a quem agradeço aqui mais uma vez), que depois me faz chegar o convite do Luís Octávio Costa, um dos subeditores da plataforma. Como o tema que me foi proposto fazia parte do âmbito do meu projecto de investigação, não hesitei e entreguei-me de corpo e alma à tarefa. Devido ao limite de caracteres imposto (3000), resolvi, como o consentimento do P3, dividir o tema – o actual estado de arte do formato videomusical – em duas crónicas.

  • A primeira elege três acontecimentos do ano passado que foram decisivos para a crescente legitimação dos vídeos musicais, não obstante a maioria dos media ignorarem o formato videomusical quando se trata de falar do futuro da fruição musical na Web;
  • A segunda analisa, muito sucintamente, aquilo que considero terem sido as quatro mais importantes tendências do formato em 2013.

Gostei muito de escrever os textos, até porque o facto de o P3 ser uma publicação digital me permitiu minar as duas crónicas com hiperligações que, de certa forma, compensam ou complementam a abordagem porventura mais leve e superficial que fiz ao tema. Votos de boas leituras.

Poolside Radio

poolside

O Poolside Radio é um portal que tira o máximo proveito de uma ideia muito simples: misturar música dançável com imagens de comédias juvenis repletas de Sol, piscinas e corpos femininos em biquini. Ah e tudo com um denominador comum: os eighties. Os utilizadores podem fazer zapping às imagens e ainda submeter músicas para a trilha sonora. É uma espécie de vending machine videomusical: em vez de sumos e chocolates, saem snacks mediáticos. No momento em que a Europa vive fustigada pelo pior Inverno dos últimos anos, talvez seja aconselhável não menosprezar os efeitos terapêuticos deste HTML. Just saying.

Obrigado ao Hilário Amorim pela dica.

PolyFauna

radioapp

Os Radiohead acabam de lançar um app intitulada PolyFauna (iOs e Android). Segundo o próprio Thom Yorke:

    PolyFauna is an experimental collaboration between us (Radiohead) & Universal Everything, born out of The King of Limbs sessions and using the imagery and the sounds from the song Bloom. It comes from an interest in early computer life-experiments and the imagined creatures of our subconscious.

A app consiste numa espécie universo audiovisual passível de ser visualmente explorado pelo utilizador (os grafismos são decididamente retro e fazem lembrar os primórdios da animação 3D nos computadores pessoais). Apesar de haver em PolyFauna coisas muito bem conseguidas (sobretudo o facto de a música e de o grafismo ser um desdobramento do trabalho minucioso que os Radiohead, o produtor Nigel Godrich e o designer Stanley Donwood desenvolveram em The King of Limbs), é de lamentar, em primeiro lugar, o timing absolutamente desastroso do lançamento (três anos depois do álbum? a sério?) e, em segundo lugar, a paupérrima jogabilidade da engenhoca. Em matéria de experiências videomusicais em apps, o Biophilia (2011) da Bjork continua insuperável e mesmo outros exemplos como o de Home dos The Suzan, BEP360 (2011) dos Black Eyed Peas ou Bullseye (2011) dos Poliphonic Spree parecem-me bem mais conseguidos do que este, apesar de tudo, simpático PolyFauna.

O importante, pelo menos para mim, é que continue a haver malta a explorar as (imensas) potencialidades da interactividade videomusical. E estou mesmo convencido que o grande contributo de Polyfauna pode mesmo ser a sua abordagem holística, isto é, o facto de o projecto envolver não apenas engenheiros e programadores informáticos mas também a banda, o produtor e o designer gráfico.

ESC:ALA

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Chegou finalmente o dia em que posso, com o mínimo de pompa e um nada de circunstância, anunciar aos meus leitores o nascimento de uma nova revista electrónica. A ESC:ALA é o fruto de mais de meio ano de trabalho de um trio de de colaboradores do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa formado por este vosso anfitrião e pelas incansáveis Mathilde Ferreira Neves e Rita Novas Miranda.

Que espaço pretende ocupar esta nova revista?

    A ESC:ALA propõe-se sobretudo como um espaço de experimentação.

    A ESC:ALA pretende ser um fórum, um laboratório onde se fazem aproximações entre as mais variadas formas de expressão artística: literatura, música, cinema, vídeo, ilustração, animação, fotografia, arquitectura, teatro, performance, design, pintura, street art e demais artes plásticas e performativas. Lado a lado, ensaiando tanto a reflexão como a prática destas e de outras relações.

    A ESC:ALA é, afirmativamente, indisciplinar.

    Concebido como um espaço multimediático de diálogo e confronto entre o trabalho de jovens investigadores e o de artistas emergentes, a ESC:ALA visa igualmente divulgar as reflexões mais periféricas ou marginais desenvolvidas no âmbito da rede de investigação internacional LyraCompoetics, o que faz de si a ovelha tresmalhada da revista eLyra.

    (fonte)

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O nosso objectivo (ambicioso) passa por conseguirmos lançar 3 a 4 números por ano. Para já, podem ficar a saber tudo sobre o primeiro número aqui. Poderão igualmente encontrar por lá dois textos meus: uma pequena narrativa e um ensaio cujo tema tem tudo a ver com o meu projecto de investigação (logo com este blogue) e sobre o qual voltarei a falar aqui num próximo post.

Hoje é um dia bom.

Votos de óptimas leituras.

Estereograma videomusical

blackisgood

O título do post diz tudo, né? Graças ao engenho do realizador Jared Raab e do artista digital Tomasz Dysinski, o novo vídeo musical dos Young Rival apenas é visível aos que se renderem aos encantos da ilusão óptica. Comigo, qualquer uma das 3 versões funcionou lindamente, embora talvez recomende a parallel-eye version (em 1080 HD, claro).

Estão à espera de quê? Ah, do link. Ei-lo.

A man with his legs made of sausages

Não quero ser mal interpretado: eu adoro o Noel Gallagher. Musicalmente, o rapaz escreveu pelo menos um grande disco e alguns dos mais fabulosos singles e B-Sides da pop britânica. Como pessoa, deve ser uma valente besta, mas uma besta adorável: sempre com o coração ao pé da boca e com um grande mérito – o de se incluir a si próprio e à sua banda nos alvos preferidos da sua verborreia.

Ora, um utilizador do YouTube (a quem expresso desde já a mais infinda das gratidões) compilou alguns dos melhores momentos dos comentários do ex-líder dos defuntos Oasis ao DVD da edição especial da colectânea Time Flies… 1994-2009. Deixem-me trocar isto por miúdos: o que temos aqui é, em 2010, o fabuloso Noel Gallagher a comentar (meio confuso, indignado e desgostoso) os vídeos musicais (todos eles muito fracos, sem excepção) da sua banda e a extrapolar esses considerandos à generalidade do formato. É mesmo das coisas mais divertidas que vi na minha vida. A sério.

Algumas das minhas passagens favoritas:

I’ve grown out of the video experience quite quickly. By the third one, I knew it was all bollocks: standing up all day doing the same old shit five hundred times.

I fucking hate videos. I hate everything about them. They cost a fortune, you have to be there at eight in the morning and you don’t leave until the next fucking morning and I don’t like the fact that the people who are making them think they are making fucking Apocalypse Now.

Who fucking watch music videos these days? No one.

This is fucking nonsense. Is this a real video?

If anybody’s listening to this at home, you’d be advised to go mow the garden or something, because this goes on for fucking ages.

In all these videos, if you needed four guys walking around in slow motion, we were the best at that.

Is that a man with his legs made of fucking sausages? That’s not real!

Mas não há nada como ver e ouvir com os vossos próprios olhos. Uma maravilha.

KISMIF: novo prazo de envio de trabalhos

kismifdeadline

A imagem diz tudo: devido à avalanche de pedidos recebidos, a comissão organizadora do congresso internacional Keep It Simple, Make It Fast! Underground Scenes and Do It Yourself Cultures resolveu adiar por um mês (15 de Fevereiro) o prazo para o envio de trabalhos.

Lembro que o congresso terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e na Casa da Música entre os próximos dias 9 a 11 de Julho de 2014.

Também já se encontra em linha o blogue do projecto associado ao evento, no qual tenciono igualmente colaborar (depois aviso aqui quando sair algo da minha autoria).