Biophilia da Björk no MoMA

Ora aqui está uma bela notícia repleta de simbolismo: a primeira app a ser incluída no espólio do Museu de Arte Moderna de Nova-Iorque vai ser videomusical. Lembro que, já o ano passado, o Museu da Imagem em Movimento da mesma cidade já tinha dedicado uma parte considerável da sua actividade a uma exposição dedicada ao formato. No momento em que se aproxima a defesa da minha tese, é giro assistir à cada vez mais inegável legitimação do meu objecto de investigação. Em 2009, ninguém diria.

Assunto morto

Ia escrever sobre o novo vídeo (muito fraquinho) dos Mão Morta, quando me deparei com este texto do Alexandre Homem Cristo, que praticamente diz tudo o que tinha para dizer sobre o assunto e que pode ser resumido na seguinte frase: que um vídeo tão inofensivo consiga gerar tanta celeuma é que é, de facto, preocupante.

Music DNA

Gosto muito deste projecto em fase de financiamento no Kickstarter. Não apenas porque é uma forma gira de tornar tangível (via memorabilia) a cada vez mais intangível fruição musical, mas sobretudo porque inclui, de forma muito inteligente e intuitiva, o formato videomusical naquilo que os autores apodam de “DNA musical”. Não ando eu aqui a apregoar outra coisa nos últimos 3 anos.

musicdna

Beats Apple

Beats-AppleO suposto interesse da Apple em adquirir a Beats por 3,2 mil milhões de dólares causou um grande furor a semana passada. Convirá lembrar que uma parte considerável do sucesso da Beats (hoje em dia uma das marcas urbanas mais fortes do mercado norte-americano) se deve precisamente ao facto de o seu principal produto (os headphones) ter sido promovido quase exclusivamente através do formato videomusical. Para bom entendedor…

Publicidade retroactiva

Ainda a propósito disto e disto, isto é, a propósito das diferentes formas que estão actualmente a ser exploradas para fazer rentabilizar os vídeos musicais, chega-me uma notícia que, confesso, me deixou perplexo: a implementação de publicidade retroactiva no formato videomusical.

A engenhoca é fruto de uma parceria entre o vevo (a versão videomusical do YouTube que resulta de um acordo entre a Google Inc, a Universal, a Sony e a Abu Dhabi Media) e a Mirriad, nome da empresa que desenvolveu a tecnologia que apoda de “native invideo advertising”. A primeira vítima é este vídeo de Aloe Blacc com cerca de 8 milhões de visualizações (como o vevo não está disponível em Portugal, estamos – para já, meus caros, para já – livres desta inovação tecnológica):

Antes e depois do vídeo musical de Aloe Blacc

Antes e depois do vídeo musical de Aloe Blacc

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Assustador, não é? É um pouco como utilizar o digital para re-escrever a história das imagens em movimento e fazer desancorar os utilizadores de todo e qualquer contexto que não seja o agora-aqui-assim. Apesar disto poder ser paranóia minha (e é, mas não só), acho tudo isto, de facto, assustador. Está-se mesmo a ver o que virá a seguir: publicidade retroactiva personalizada que terá em conta os nossos perfis digitais para colocar em tempo real nos mais variados conteúdos mediáticos que consumimos mensagens das marcas em relação às quais somos mais sensíveis (ah dizes que gostas de correr no facebook? então toma lá anúncios da Nike e da Asics em todos os vídeos musicais que vais ver nos próximos dias!).

Creepy shit.