métodos de operacionalização e instrumentos de validação

To me the essence of being methodologically self-conscious is to be honest about how you know what you know. And most of what I am writing about here I know from the inside out.
HENRY JENKINS

I don’t believe anyone who tries to tell me that their choice of what to study and how to study it isn’t deeply informed by their own personal likes and dislikes.
JONATHAN GRAY

 

O projecto de investigação irá ser operacionalizado através de uma triangulação de métodos que se enquadram num design qualitativo de investigação (2.2 CRISWELL 1994: 11-12). O âmbito de aplicação dos dois primeiros (método etnográfico e teoria fundamentada em dados) é o da construção do modelo conceptual para a análise da difusão dos vídeos musicais na Web Social e o terceiro (casos de estudo) o da sua verificação ou aplicabilidade.

Triangulação de métodos de operacionalização da investigação

 

a) Método etnográfico
O investigador do projecto de investigação assume-se plenamente como um acafã, isto é, alguém que pretende conjugar o seu objecto de fruição e o seu objecto de estudo numa mesma entidade: o vídeo musical. Para além de um conhecimento intenso e extenso do objecto, a grande vantagem deste posicionamento epistemológico é o de conferir ao investigador uma consciência aguda dos perigos que lhe estão associados, o que, em potência, lhe permitirá invocar de forma metódica o distanciamento crítico necessário a qualquer abordagem científica. Por imperativos profissionais ligados ao facto de ter sido (2005-2010) o autor do único programa da televisão nacional dedicado aos vídeos musicais (MTV Brand:New), o investigador teve a oportunidade de acompanhar a produção internacional de vídeos musicais não apenas nos principais portais de partilha de vídeos e redes sociais, como no Fastrax, uma base de dados da IMD que disponibiliza diariamente dezenas de vídeos musicais fornecidos pelas editoras à escala planetária. Desde Junho de 2006 que é um antviller, o que lhe permitiu observar e participar activamente na maior comunidade virtual de fãs de vídeos musicais (Antville). É este posicionamento etnográfico que permitiu, por exemplo, o enquadramento teórico da convergência dos vídeos musicais na Web Social.

b) Teoria Fundamentada em Dados (Grounded Theory)
Este método é, no projecto de investigação, indissociável do estatuto epistemológico do investigador como acafã: foi, nos últimos 5 anos, o seu permanente contacto diário com a evolução da presença dos vídeos musicais na Web Social que lhe permitiu, por exemplo, induzir os COIs do modelo de análise, e abdutivamente vislumbrar a operatividade da integração da transtextualidade genettiana no modelo conceptual de análise da propagação dos fluxos videomusicais na Web Social. A fundamentação deste método resulta de um longo processo de fruição participativa dos vídeos musicais referenciados no blogue do Antville entre Junho de 2006 e Junho de 2011 (corpus). Este método é fundamental devido à forte componente teorética do presente projecto de investigação, tendo sido em particular crucial na articulação dialéctica com os conceitos sistémicos que permitiram a construção do modelo de análise. O campo de estudo acabou por se concentrar nos dois principais portais de partilha de fluxos videomusicais: o YouTube e o Vimeo.

c) Casos de Estudo
Se os dois métodos anteriores foram utilizados para fazer emergir indutivamente características abstractas da presença dos vídeos musicais na Web Social que suscitaram aproximações dedutivas e abdutivas a modelos teóricos cujos corolários epistemológicos são i) a interdisciplinaridade entre os Web Studies e os Estudos Literários e ii) a construção de um modelo conceptual de análise da propagação dos vídeos musicais na Web Social, a verificação ou aplicabilidade do referido modelo será feito através de uma análise de conteúdo temática, formal e estrutural de uma série de casos de estudo de difusão videomusical.

 

Apesar do design qualitativo de investigação se afastar conscientemente do positivismo inerente às abordagens quantitativas (2.2 CRESWELL 1994: 157-158), a operacionalização do projecto de investigação inclui instrumentos de validação do trabalho desenvolvido:

a) Inteligência Colectiva
O presente projecto de investigação procurará recorrer à inteligência colectiva emanada pela maior comunidade virtual de fãs de vídeos musicais (Antville) para efectuar a produção de informação e verificação de dados recolhidos em diversos portais da Web Social.

b) Orientação Científica
Apesar de a orientação científica poder ser vista como um mera formalidade académica, procurou-se potencializar ao máximo esse importante recurso ao solicitar uma orientação e co-orientação a docentes cuja área de especialização recobre o princípio epistemológico basilar do presente trabalho de investigação: a interdisciplinaridade entre os Web Studies (Prof. Dr. Rui Raposo do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro) e os Estudos Literários (Prof.ª Dr.ª Rosa Maria Martelo da Faculdade de Letras Universidade do Porto e membro do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa).

c) Weblog
Como instrumento complementar, foi criado o presente blogue que será alimentado através de posts que tendem a configurar-se como memorandos com o work in progress (principais etapas e conclusões) do trabalho de investigação. O seu intuito é o de despertar um diálogo científico com a comunidade científica lusófona, fomentando a utilização do Português como uma língua importante de divulgação e trabalho científico na área da mediação tecnológica, nomeadamente através do estabelecimento de um léxico terminológico que substitua a proliferação da utilização de termos anglo-saxónicos. Este instrumento pretende igualmente tornar mais eficaz e airosa a leitura de um futuro documento escrito (tese) que irá constantemente remeter para a consulta de conteúdos audiovisuais.

 

Para finalizar, valerá ainda a pena sublinhar o facto de os métodos qualitativos invocados para a operacionalização do projecto de investigação estarem plenamente sintonizados com o seu posicionamento epistemológico. Quando John W. Criswell afirma que:

[...] qualitative design is one in which the “rules” and procedures are not fixed, but rather are open and emerging [...] [and] calls for an individual who is willing to take the risks inherent in an ambiguous procedure. (2.2 CRISWELL 1994: 8 e 10)

a ambiguidade do método não pode, no âmbito do projecto de investigação, ser encarada como um “risco” ou uma “dificuldade”, mas como a única forma de potencializar cientificamente o posicionamento epistemológico preconizado pelos Web Studies, onde (itálicos meus):

[…] the fetishisation of ‘expert’ readings of media texts is replaced with a focus on the everyday meanings produced by the diverse array of audience members, accompanied by an interest in new qualitative research techniques […] [where] conventional research methods are replaced – or at least supplemented – by new methods which recognise and make use of people’s own creativity, and brush aside the outmoded notions of ‘receiver’ audiences and elite ‘producers’. (2.1 GAUNTLETT 2007a)

3 comentários a “métodos de operacionalização e instrumentos de validação

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