Biophilia da Björk no MoMA

Ora aqui está uma bela notícia repleta de simbolismo: a primeira app a ser incluída no espólio do Museu de Arte Moderna de Nova-Iorque vai ser videomusical. Lembro que, já o ano passado, o Museu da Imagem em Movimento da mesma cidade já tinha dedicado uma parte considerável da sua actividade a uma exposição dedicada ao formato. No momento em que se aproxima a defesa da minha tese, é giro assistir à cada vez mais inegável legitimação do meu objecto de investigação. Em 2009, ninguém diria.

PolyFauna

radioapp

Os Radiohead acabam de lançar um app intitulada PolyFauna (iOs e Android). Segundo o próprio Thom Yorke:

    PolyFauna is an experimental collaboration between us (Radiohead) & Universal Everything, born out of The King of Limbs sessions and using the imagery and the sounds from the song Bloom. It comes from an interest in early computer life-experiments and the imagined creatures of our subconscious.

A app consiste numa espécie universo audiovisual passível de ser visualmente explorado pelo utilizador (os grafismos são decididamente retro e fazem lembrar os primórdios da animação 3D nos computadores pessoais). Apesar de haver em PolyFauna coisas muito bem conseguidas (sobretudo o facto de a música e de o grafismo ser um desdobramento do trabalho minucioso que os Radiohead, o produtor Nigel Godrich e o designer Stanley Donwood desenvolveram em The King of Limbs), é de lamentar, em primeiro lugar, o timing absolutamente desastroso do lançamento (três anos depois do álbum? a sério?) e, em segundo lugar, a paupérrima jogabilidade da engenhoca. Em matéria de experiências videomusicais em apps, o Biophilia (2011) da Bjork continua insuperável e mesmo outros exemplos como o de Home dos The Suzan, BEP360 (2011) dos Black Eyed Peas ou Bullseye (2011) dos Poliphonic Spree parecem-me bem mais conseguidos do que este, apesar de tudo, simpático PolyFauna.

O importante, pelo menos para mim, é que continue a haver malta a explorar as (imensas) potencialidades da interactividade videomusical. E estou mesmo convencido que o grande contributo de Polyfauna pode mesmo ser a sua abordagem holística, isto é, o facto de o projecto envolver não apenas engenheiros e programadores informáticos mas também a banda, o produtor e o designer gráfico.

Björk: Biophilia app (2011)


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Há já quase uma semana que está disponível a mother app que acompanhará o lançamento de Biophilia da Björk. A aplicação-mãe (disponível para o iPhone e o iPad) é gratuita e inclui já um tema («Cosmogony») e já se encontra à venda (por €1,69) uma segunda aplicação com o tema «Crystaline» (cuja compra é sugerida ao longo da navegação pela aplicação-mãe).

Fiz o descarregamento da versão para o iPhone e, para já, a minha experiência tem sido bem estimulante. Biophilia é uma genuína viagem interactiva tridimensional que inclui, para além do tema, as letras, um jogo (bem conseguido e viciante), um ensaio do musicólogo Nikki Dibben e ainda um fascinante scrolling score que corresponde a uma versão animada de uma pauta musical. Como é óbvio, a experiência apenas ficará completa com o descarregamento dos restantes temas/aplicações, mas a coisa promete. Recomendo ainda a leitura dos textos de Alex Needham e Jenima Kiss no Guardian.

Vídeos musicais interactivos (mais dois exemplos)

Aqui estou eu para vos trazer dois novos exemplos de vídeos musicais interactivos (cliquem aqui para ver outros anteriormente referidos no blogue).

Hadag Nahash: Lo Maspik (Gal Muggia, 2010)
Este data do final do ano passado e é mais um belo conseguido exemplo de vídeo musical interactivo gravado a 360º: com o cursor o utilizador tem a possibilidade de fazer girar a câmara e assim ter uma visão periférica do vídeo.

Polyphonic Spree: Bullseye (Moonbot Studios, 2011)
Mais um vídeo musical sob a forma de uma app para iPod e iPad, que tira partido do touchscreen e do oscilómetro destes dispositivos da Apple. A app custa $1.99 e parece-me que esta tenderá a ser cada vez mais (ver o caso da Björk) uma forma eficaz de as bandas disponibilizarem os seus temas aos utilizadores, embora o modelo de negócio esteja ainda longe de se considerar lucrativo. Deixo de seguida um vídeo de apresentação deste video app musical.

Biophilia: vem aí mais uma série videomusical

A Björk tem uma reputação a defender no universo dos vídeos musicais ou não fosse a cantora islandesa senhora de uma das mais vibrantes videografias dos últimos 20 anos.

Pois bem, parece que Biophilia, o seu novo disco, vai ser simultaneamente lançado sob a forma de um álbum convencional e de uma série videomusical que consistirá num vídeo para cada uma das suas dez faixas (com um realizado por um dos meus realizadores favoritos: o grande Michel Gondry).

Adicionalmente, o disco e os vídeos também serão disponibilizados sob a forma de um pacote de 10 apps para o iPad. Cada uma dessas apps será interactiva e, pormenor fundamental, irão sendo constantemente actualizadas ao longo das primeiras semanas de edição do disco.

A seguir atentamente. A coisa promete.