Nota

Mais alterações silenciosas e pouco visíveis no blogue. Acrescentei uma página relativa a alguns elementos da amostra teórica da investigação (que está listada aqui).

Como já referi aqui inúmeras vezes, um dos objectivos deste blogue é tornar mais cómoda a leitura de um documento impresso em papel (tese) com constantes remissões para vídeos musicais alojados na Web. Ora esta nova página destina-se sobretudo aos leitores do referido documento que encontrarão lá listados e hiperligados todos os vídeos referidos ao longo do capítulo IV intitulado Novas Tendências da Videomusicalidade: a sua visualização fica assim doravante à distância de um mero clique. Esta página vem igualmente complementar a anterior dedicada aos casos de estudo (capítulo V).

E com isto penso ter concluído a inserção de toda a informação e de todas as ferramentas de visualização que queria munir a página do blogue dedicada ao design de investigação. Foi um trabalho chato, longo e, para já, ingrato. Espero que quem venha ler a tese no futuro (arguentes e não só) saiba tirar proveito de todas as suas funcionalidades.

Amostra teórica

Dois anos

Este blogue fez ontem dois anitos e eu, ingrato, deixei a efeméride passar em claro. Em comparação ao primeiro ano, tanto o ritmo de publicação (135 vs. 150 posts), como os comentários (288 vs. 290) e os acessos (9 300 vs. 9 900) foram sensivelmente os mesmos, o que para mim é um feito, na medida em que este segundo ano foi muito mais dedicado à escrita da tese (280 vs. 125 páginas) do que à de memorandos no blogue. Na verdade, neste segundo ano fui muito mais um leitor desta plataforma do que o seu autor, na medida em que inúmeras páginas da tese consistiram num exercício de rescrita de alguns dos seus posts, o que veio mais uma vez provar a tremenda utilidade desta ferramenta no meu projecto de investigação.

No momento em que caminho a passos largos para a conclusão do doutoramento, começo a equacionar o destino a dar a este blogue. Para já, tenciono mantê-lo até à defesa da tese (se tudo correr bem, lá para setembro ou outubro próximo) e depois não faço a mínima ideia. Há, para já, duas hipóteses: continuar com o mesmo ou criar um novo. Actualmente, sinto-me mais inclinado para a segunda hipótese: afinal de contas, o mv flux foi criado com um objectivo concreto e, atingido este objectivo, creio que seria adequado deixá-lo entregue aos fantasmas do HTML como um testemunho da minha aventura doutoral. Não sou muito dado à posteridade, mas quero acreditar que haverá pelo menos uma alma que no futuro poderá encontrar aqui alguma informação ou reflexão que lhe seja útil. Isto é wishful thinking, eu sei, mas o pensamento também é por vezes feito dessa matéria ainda mais etérea que são os desejos.

Mas divago. O que queria mesmo dizer era isto: que estou extremamente grato aos leitores deste blogue, tanto os que me honraram com a sua participação como os silenciosos. Vir aqui também foi uma forma de me sentir menos só nas minhas reflexões e de encontrar ânimo para levar o meu projecto a bom porto. Estou quase lá.

Mais uma vez, o meu sincero obrigado a todos.

Relatório #8

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Caramba, há mais de 10 meses que não escrevia um relatório aqui no blogue. Há razões para isso. Em primeiro lugar, fui submetido a uma cirurgia horrível (litotricia por laser) para dar cabo de um cálculo renal de 11mm alojado no ureter, fruto de uma deficiente hidratação pré e pós-corridas. A recuperação foi lenta e penosa: meses e meses com dores que, felizmente, não me retiraram a minha paixão pela corrida (já lá vou). Em segundo lugar, para além da escrita de dois artigos e na participação de um colóquio (sou cada vez menos fã destes eventos académicos – gosto é de ler, caramba), os preparativos de uma próxima mudança de casa tornaram as últimas semanas um corrupio de cálculos, orçamentos e decisões que nunca são fáceis de tomar.

A tese? Está boazita, obrigado. Após ter dado uma leitura geral e actualizado o documento, vou em plena redacção do quinto (e penúltimo) capítulo e já vejo uma luzita jeitosa ao fundo do túnel. Dos cinco casos de estudos, já despachei três (e logo os mais difícieis). Neste momento, falta-me abordar mais dois casos (ou apenas um, pois ainda não sei se se justifica o quarto) e, claro, o capítulo final, isto é, a conclusão. Deve ser difícil ter uma primeira versão completa da tese até ao final do ano, mas penso que a coisa não passa de Janeiro. Escrever isto até me faz tremer os dedos: o final desta odisseia nunca me pareceu tão próximo.

A partir de agora podem começar a tratar-me por “maratonista”. É verdade, consegui finalmente: uma maratona está no papo. Participei e concluí no passado dia 28 de Outubro a 9.ª edição da Maratona do Porto. Não me perguntem como, que não sei. Para além de estar longe do meu pico de forma (estive engripado nas duas semanas anteriores à prova), estava uma ventania descomunal no dia da maratona. Contei com a ajuda de um bacano chamado Miguel Paiva (que correu ao meu lado) e da minha querida Manela que, a partir do km 30, nos acompanhou de bicicleta com água e mantimentos após ter feito os 16km da Family Race. Terminei em 4h46m35s (média de 6m44s por km), tempo modesto mas o grande objectivo era mesmo chegar ao fim. Se até ao km 32 as coisas correram de forma mais ou menos prevista no ritmo conservador que tinha definido (6m15s por km), depois é que foram elas. O famigerado “muro” existe mesmo e percebi-o de duas formas: no meu joelho esquerdo que estoirou e em dores lancinantes na zona da anca que se fizeram sentir dois últimos quilómetros da prova. Mas nada, absolutamente nada, foi comparável à inacreditável alegria de ter conseguido terminado aqueles 42.520 metros (segundo o meu Garmin). Percebi também que uma maratona não termina quando se cruza a meta, mas que se prolonga nos dias seguintes: febre e dores musculares que acolhi como se fossem medalhas da minha inacreditável façanha. Em Abril, talvez me meta noutra. A ver.

A corrida e a investigação sempre foram, para mim, duas faces da mesma moeda. Comecei a correr praticamente quando me meti no doutoramento e foi ao longo das corridas que resolvi muitos dos problemas com que me fui deparando ao longo da tese. Quando criei este blogue, apontei de imediato esta relação simbiótica, pelo que não me surpreende nada que tenha conseguido correr a minha primeira maratona no preciso momento em que a escrita da tese se aproxima do fim.

Nota

Há agora uma forma alternativa de visualizar os conteúdos deste blogue: através da subscrição do canal mv flux do YouTube. Se tiverem uma conta no portal (e quem não tem hoje em dia? certamente que não os meus leitores), basta subscreveram o mesmo para receberem automaticamente uma notificação quando houver algo de novo que remeta para vídeos (musicais) do YouTube. O canal funciona igualmente como uma forma gira de fruir de forma cómoda e ininterrupta a videografia musical do blogue (e do meu projecto de investigação). Experimentem lá. É giro.

Canal mvflux no YouTube

Actualizações e acrescentos

Aproveitei a mudança de template para concluir uma série de actualizações e acrescentos às paginas do blogue (acessíveis no menu localizado na zona superior da interface). Em primeiro lugar, actualizei a bibliografia, a videografia musical e o glossário que não deverão sofrer mais alterações até ao final do projecto (caso haja, eu aviso). Em segundo lugar, acrescentei uma sub-página à página relativa do design de investigação, que consiste numa brevíssima apresentação do modelo conceptual de difusão dos vídeos musicais na Web Social. Na medida em que o referido modelo conceptual consiste num dos mais importantes corolários da investigação, tenciono desenvolver a sua explicitação e explicação numa série de posts ao longo das próximas semanas. Como diria o outro, toll the bell, pay the private eye / all’s well, twentieth century dies.

Mudança de visual

Como já devem ter reparado, o blogue sofreu uma mudança radical de visual. Confesso que nunca fui grande fã do design anterior, mas só agora é que encontrei tempo e disponibilidade mental para mudar o tema: do Inove para o Inuit Types. O objectivo era tornar tudo mais sóbrio, limpo e fácil de ler. Espero que apreciem a mudança e, claro, sintam-se à vontade para deixar as vossas impressões sobre o novo design na caixa de comentários. Também ando a procura de um novo título para o blogue (mantendo, contudo, o endereço em mvflux.com). Algo de descritivo, inteligível e, sobretudo, em Português. Caso tenham sugestões, este vosso servo agradece.

Um ano

Este blogue faz hoje um anito. Quando publiquei o primeiro post, estava longe de adivinhar o quão útil esta plataforma se viria a revelar para o meu trabalho de investigação. Na verdade, para ser sincero, arranquei com este blogue porque me sentia um pouco apreensivo com o rumo da minha vida: tinha deixado de trabalhar há 3 meses para me dedicar totalmente ao meu projecto de doutoramento e a atribuição de uma bolsa de investigação rapidamente deixou de ser uma fonte de alegria para se tornar num foco de preocupação: que raios, agora vou ter mesmo que escrever o raio da tese. O blogue foi, por isso, na sua fase inicial, sobretudo terapêutico: permitiu-me libertar paulatinamente da pressão e começar a esboçar algumas (tímidas) reflexões sobre o tema da minha investigação: a videomusicalidade na emergente paisagem mediática digital. Quando, há cerca de meio ano, encetei a escrita do capítulo central da tese, percebi com alguma surpresa que já tinha publicado aqui imenso trabalho que se estava a revelar extremamente útil para a estrutura geral do documento: inúmeras páginas ancoraram-se nos memorandos que se encontram a fermentar nos arquivos do blogue e nos comentários deixados pelos leitores.

Alguns números. No último ano publiquei 150 posts que suscitaram 290 comentários por parte da sua dezena de milhares de leitores. A página mais acedida foi, como seria de esperar, a da bibliografia que, no último ano, praticamente duplicou o seu número de referências. Os leitores chegaram aqui sobretudo através do motor de pesquisa do Google (40%) e da minha página pessoal do facebook (8%). O blogue tem actualmente 32 subscritores e totaliza 133 referências em plataformas como o facebook (80), o Digg (34) e o Twitter (19). Finalmente, o blogue despoletou igualmente o contacto via e-mail de investigadores oriundos de países como a Itália, Alemanha, Irlanda, Roménia, Brasil e Estados Unidos.

Conclusão: isto valeu mesmo a pena. O meu sincero obrigado a todos.

Das potencialidades de um blogue num projecto de investigação

Qual é a utilidade que um blogue pode ter no desenvolvimento de um projecto de investigação? Apesar de ser leitor, comentador e autor da blogoesfera desde 2004, não foi de ânimo leve que resolvi criar este blogue que terá necessariamente algumas características em comum e outras distintas dos com que tenho colaborado nos últimos sete anos.

Em primeiro lugar, convém não esquecer que a manutenção de um blogue de investigação tenderá a ser uma tarefa paralela ao principal exercício de escrita de qualquer projecto de investigação: o da redacção de uma tese. Dessa forma, manter um blogue com estas características implica um trabalho suplementar ao rol já considerável de tarefas que terão de ser conduzidas pelo investigador dentro de um determinado intervalo de tempo, sendo por isso imperioso prever a sua inclusão no cronograma do trabalho de investigação.

Em segundo lugar, a manutenção de um blogue não substitui a escrita da tese. Num cenário ideal, o mesmo poderá assumir uma dimensão complementar ao trabalho de investigação, mas é importante ter sempre em conta que a tese, em si, terá de ser sempre um objecto autónomo, inteiro, completo e distinto. Há aqui uma óbvia relação hierárquica: o blogue poderá fazer (ou não) sentido com a tese, mas o produto final da tese não poderá jamais depender do blogue para cumprir as diversas etapas da sua construção, como a definição da questão, hipóteses e objectivos de investigação ou a definição do seu modelo de análise.

Os investigadores, como é óbvio, têm uma consciência aguda destas condicionantes. A prova pode ser verificada no número escasso de blogues de investigação e de haver ainda menos os que, de facto, fazem jus ao nome. As principais formas de comunicação e divulgação de trabalho académico continuam a ser a publicação de artigos em revistas especializadas e a participação em congressos e colóquios. De resto, são estas as modalidades mais valorizadas pelas academias e pelas instituições que as avaliam. No meu caso particular, enquanto aluno de doutoramento, é particularmente visível este frenesim ou aptidão dos meus colegas para a publicação de artigos em revistas com peer review, renegando para um plano muito secundário as potencialidades de outras formas de disseminação de conhecimento científico potencializadas pelas plataformas digitais. Um doutorando é um aluno em constante avaliação e um dos principais critérios dessa avaliação, sobretudo nas ciências sociais, é o volume da sua produção científica convencionalmente legitimada pelos seus pares. Neste contexto, não se deverá estranhar que a manutenção de um blogue de investigação possa ser visto como uma futilidade pouco valorizada por parte do corpo docente e, por isso mesmo, pouco sedutor para um aluno. Não é por acaso que o verbete dedicado ao Trabalho Académico da versão portuguesa da Wikipedia não contemple sequer os blogues e que o da versão inglesa sobre Academic Writing renegue (de resto, de forma pouco inteligível) o género para uma categoria secundária de Personal Forms.

Perante este cenário, impõe-se a pergunta: por quê e para quê investir numa tarefa tão exigente como a manutenção de um blogue no contexto de um trabalho de investigação científica?

A resposta passa, em primeiro lugar, por tentarmos perceber o que é um blogue e quais são as suas potencialidades. Como não existe melhor maneira de entendermos o que é um blogue do que lê-los, posso de imediato assumir, sem grandes riscos, a existência de uma assinalável familiaridade do formato para a esmagadora maioria dos utilizadores da Internet e dos meus hipotéticos leitores. Os blogues são dos media mais notáveis que levaram ao cunho do termo Web 2.0 (ou Web participativa ou social), que marca o advento de tecnologias que permitem uma participação activa dos utilizadores na criação, difusão e curadoria de conteúdos digitais. Jill Walker Rettberg (2.2, RETTBERG, 2008, pp. 9-17) identifica 3 tipos (não exclusivos) de blogues: 1) os pessoais (personal or diary-style) – diários pessoais em que predomina a expressão da vivência do autor; 2) os curadores digitais (filterblogging) – filtros que seleccionam, através do recurso de hiperligações, conteúdos terceiros considerados relevantes para o(s) autor(es); e 3) os temáticos (topic-driven), que abordam assuntos que gravitam em torno de um determinado tópico ou assunto. Transpondo esta tipologia de géneros para um blogue de investigação, verifica-se que todas elas têm um potencial notável na disseminação não apenas do conhecimento científico, mas dos processos epistemológicos que conduzem à sua produção:

- um blogue de investigação lucra em ser pessoal, na medida em que a vivência da investigação é um dado epistemológico fundamental para os projectos que, como o meu, utilizam o método etnográfico como forma de operacionalização. O blogue permite, por exemplo, a disponibilização de reflexões e de instrumentos de investigação que estão excluídos da tese, como é o caso do diário de bordo.

- um blogue de investigação lucra em assumir-se como uma forma de curadoria digital na medida em que permite disponibilizar e discutir de forma imediata reflexões e estudos de outros autores que ainda não chegaram à Galáxia Gutemberg. Como exemplo, posso indicar que um dos pilares teóricos do meu projecto de investigação é o conceito de Spreadability (propagação) desenvolvido pelo Convergence Culture Consortium do MIT e disponibilizado em Fevereiro de 2009 no blogue de Henry Jenkins: a publicação de Spreadable Media: Creating Value in a Network Culture, a obra colectiva que reflectirá o trabalho desse relatório preliminar, está apenas prevista para meados de 2011, isto é, mais de dois anos depois da sua disponibilização no HTML.

- um blogue de investigação tende a ser necessariamente temático, na medida em que toda a sua produção gravitará em torno da questão de investigação e procurará contribuir para atingir os seus objectivos. No caso particular dos projectos que se enquadram num design qualitativo de investigação (2.2, CRISWELL, 1994, pp. 11-12), um blogue permite igualmente disponibilizar, de forma imediata, a selecção do corpus a partir do qual irá ser produzida a teoria fundamentada em dados (Grounded Theory) da investigação. Quando o objecto de estudo é a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais, o HTML possui virtudes como medium que, como é óbvio, escapam ao papel em que é impressa uma tese, como o facto (nada displicente) de permitir a visualização dos mesmos.

No entanto, como afirma Marie Laurie Ryan (2.2, RYAN, 2005), um blogue, para além de ser um medium, pode também ser visto como um tipo de texto (type of text), isto é, um género textual com características próprias que convirá identificar. Numa entrevista de 2001 citada por Jill Walker Rettberg (2.2, RETTBERG, 2008, p. 21) e, infelizmente, já não disponível online, Evan Williams, um dos fundadores do Blogger, enuncia três características da escrita dos blogues (ou blogging): a frequência, a brevidade e a personalidade. Novamente, estas características da escrita blogosférica podem ser uma mais-valia assinalável para um investigador na medida em que:

- a frequência obriga a um exercício quase diário de escrita: durante um trabalho de investigação, não são raros os casos em que o exercício de escrita se resume à redacção da tese, sobretudo se tivermos em conta que os artigos publicados em revistas especializadas resultam não raras vezes de adaptações de capítulos da mesma. A frequência de escrita potencializada pelos blogues obriga não apenas a um maior débito de escrita e de reflexão como liberta o investigador de convenções da escrita académica que, por vezes, podem ser um entrave ao livre fluir da escrita e do pensamento. A agilidade da escrita é um trunfo que reputo de fundamental para qualquer exercício de investigação científica, sobretudo no campo das ciências sociais;

- a brevidade força o investigador a uma maior capacidade de síntese e a uma maior explicitação de conceitos por vezes partilhados pela comunidade académica. Não raras vezes este exercício de explicitar conceitos básicos revela-se fundamental para a compreensão dos mesmos por parte do próprio investigador. A brevidade e a frequência obrigam igualmente o investigador a focalizar um determinado assunto de formas diversas, contribuindo para o seu domínio dos mesmos;

- a personalidade permite ao investigador incluir características estilísticas que não são consensualmente caucionadas ou sequer permitidas pelo universo académico, sob o pretexto da salvaguarda de supostos valores de gravitas, neutralidade ou objectividade. É a minha convicção que a produção, recepção e disseminação de conhecimento científico tem muito a lucrar com a heterodoxia de registos de escrita que incluam, por exemplo, a provocação, o humor ou a polémica.

Como já foi referido anteriormente, os blogues são igualmente um medium social, que fomenta a participação dos seus leitores através de comentários e que recorrem às hiperligações para entrar em permanente diálogo com outros autores da blogosfera que partilham os mesmos interesses. A definição de weblog do Oxford English Dictionary é particularmente feliz na forma como inclui esta dimensão social:

A frequently updated Web site consisting of personal observations, excerpts from other sources, etc., typically run by a single person and usually with hyperlinks to other sites.

Finalmente, este diálogo é particularmente salutar não apenas por ser potencialmente mais imediato do que o convencional circuito académico, como alarga de forma considerável o seu tipo de leitores. Como referi no post anterior, este último ponto é particularmente importante no caso do meu projecto de investigação, devido ao seu posicionamento epistemológico, herdado dos Web Studies 2.0, onde a noção de peer tende a libertar-se da exclusividade do mundo académico e a englobar uma audiência bem mais vasta:

[…] the fetishisation of ‘expert’ readings of media texts is replaced with a focus on the everyday meanings produced by the diverse array of audience members, accompanied by an interest in new qualitative research techniques […] [where] conventional research methods are replaced – or at least supplemented – by new methods which recognise and make use of people’s own creativity, and brush aside the outmoded notions of ‘receiver’ audiences and elite ‘producers’. (2.1, GAUNTLETT, 2007a)

 

Para terminar este post, que já vai longo e arrisca pôr em causa uma das características típicas da escrita blogosférica, duas breves notas finais:

1) Decidi redigir este blogue em Português pelo facto de não me conformar com a hipervalorização do Inglês como língua franca da comunidade científica. No caso das ciências da comunicação, os resultados estão bem à vista e senti-os logo numa fase inicial da minha investigação: uma ingénua desvalorização da qualidade do discurso face à ilusória universalidade de um conteúdo expresso muitas vezes em broken english, a proliferação de anglicanismos desnecessários em textos científicos escritos em Português e o consequente empobrecimento lexical da terminologia científica da nossa língua. Entre a qualidade do discurso e o hipotético alargamento do universo de leitores, a minha escolha recai, sem hesitações (e com uma dose saudável de realismo), para a primeira. Partilho, de resto, a opinião do linguista Nicholas Ostler, de que existem óbvios indicadores sociais, económicos e tecnológicos para crer que caminhamos (e ainda bem) para um futuro manifestamente multilingue.

2) Dediquei alguns meses a conferir um certo lastro a este blogue de forma a dar conta do actual estado da investigação. Nos separadores localizados na parte superior da página de entrada poderão encontrar informação e dados facilmente acessíveis que me pareceram poder ser úteis para alguns leitores: o design de investigação do projecto, a bibliografia, o corpus, um glossário e uma série de hiperligações que incluem estudos de cariz quantitativo e outros portais relacionados com o tema da investigação. Tenciono manter as mesmas sempre actualizadas e estar atento à eventuais sugestões.

Incipit 2.0

MV FLUX é o blogue do meu projecto de investigação que está a ser desenvolvido na Universidade de Aveiro (Departamento de Comunicação e Arte) e na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa) sobre a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais subordinado ao título A propagação na Web 2.0: o caso dos fluxos videomusicais e que aponta, através de uma abordagem transdisciplinar com os Estudos Literários, para a definição de uma poética da propagação digital.

O que pretendo com este blogue? Sobretudo, duas coisas. Em primeiro lugar, que funcione como um instrumento de reflexão. Para isso, o blogue tenderá a aproximar-se de dois formatos complementares: o de diário de bordo da investigação e o de um repositório de todo o aparato teórico que irá ser utilizado, questionado e criado ao longo projecto. Em segundo lugar, pretendo que o blogue funcione igualmente como um instrumento de comunicação com os seus potenciais leitores de forma a potencializar a mais-valia que poderá surgir desse diálogo. Nesse sentido, a escrita oscilará entre dois registos: o do do objecto de estudo (a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais) e o do académico que se debruça sobre o mesmo. Tal, de resto, está em consonância com o peculiar estatuto epistemológico do investigador enquanto acafã (ou etnógrafo digital).

Tenciono dedicar mais algumas linhas sobre o que me parece ser a pertinência e as potencialidades da utilização de um blogue num projecto de investigação num contexto em que a mediação tecnológica é, cada vez mais, o medium privilegiado de comunicação. Tal ficará para outro post. Para já, declaro abertas as hostilidades.

Let’s see what we can do: take it away!