Sequências videomusicais

É uma espécie de subgénero dentro da recente tendência das médias-metragens videomusicais, mas algo que se tem tornado suficientemente comum nos últimos meses para ser notório e, em muitos casos, até notável. Estou a falar de vídeos musicais que consistem na sequência de dois temas musicais (ou canções) da mesma banda (oriundos do mesmo álbum ou não). À falta de melhor nome, apodo os mesmos de sequências videomusicais e correspondem, no fundo, a um equivalente visual dos temas contíguos em álbuns pop cuja transição é efectuada sem qualquer pausa (eis dois exemplos clássicos). Utilizei o termo “equivalente” e não “duplo”, porque de facto a sequência dos temas foi produzida especificamente para o(s) vídeos musical(ais) e não reproduz algo que já existia no disco (o que, só por si, denota mais uma vez o vigor do formato).

Coincidência ou não, os três exemplos que deixo de seguida estão no meu Top 10 dos melhores vídeos musicais que vi na última década. Ah pois é.

Warpaint: «Disco/Very + Keep It Healthy» (real. Laban Pheidias)

Tema #7 + tema #2 do álbum Warpaint (2014)

Phoenix: «Trying To Be Cool + Drakkar Noir» (real. CANADA)

Tema #4 + tema #6 do álbum Bankrupt (2013)

The Shoes: «America + Time To Dance» (real. Daniel Wolfe)

Tema #1 do EP Stade de Reims (2009) + Tema #1 do EP Time To Dance (2012)

Vídeos musicais 2011 – uma selecção #5 (de 5)

Informações sobre esta lista aqui.

#5
No Age: «Fever Dreaming» (Real. Patrick Daughters)
Talvez a ideia mais genial para um vídeo musical em 2011 que gravita em torno de uma das mais basilares técnicas cinematográficas: a do enquadramento.

#4
Battles: «Ice Cream» (Real. Canada)
Os espanhóis Canada foram a grande revelação do ano (já falei nestes pasteleiros aqui). E os Battles a banda com o faro mais apurado para contratar realizadores em 2011.

#3
Manchester Orchestra: «Simple Math» (Real. Daniels)
Já falei neste bolo-rei aqui. Não há muito a acrescentar: é o melhor vídeo musical narrativo do ano.

#2
Radiohead: «Lotus Flower» (Real. Garth Jennings)
Também já falei deste bombom aqui. Sem dúvida, a grande surpresa do ano: o Thom Yorke a dar uma de Beyoncé.

#1
PJ Harvey: «The Words That Maketh Murder» (Real. Seamus Murphy)
E aqui está ele: o meu vídeo favorito do ano. É um monumento de subtileza dedicado a um dos grandes discos do ano. Talvez seja um anti-clímax para alguns devido à sua sobriedade, mas a escolha é para mim indiscutível: mais nenhum vídeo musical fez tanto vibrar a minha corda sensível este ano. E serve igualmente para referenciar uma das outras grandes tendências do formato em 2011: as séries videomusicais. Um nome a reter para os próximos anos: Seamus Murphy.

Canada

Da vasta vaga de realizadores que têm vindo a ocupar o seu espaço no universo dos vídeos musicais na Web Social, os Canada serão porventura os meus favoritos.

O colectivo, sediado em Barcelona e formado pelo trio de realizadores Luis Cerveró, Nicolás Méndez e Lope Serrano, conseguiram imprimir nos últimos anos uma assinatura estilística tão forte no formato que basta vermos um ou dois dos seus vídeos musicais para de imediato sermos capazes de identificar a sua assinatura em qualquer produto videomusical. Tudo isto sem nunca ficarmos com a sensação que se andam a repetir ad nauseam.

Deixo aqui dois exemplos recentes que adoro, para temas não menos fabulosos de El Guincho e dos Battles, mas podem ir aqui e explorar o resto da videografia musical dos rapazes.

Vão por mim, vale bem a pena.