
Acrescentei no sítio do costume a apresentação da Nielsen na edição deste ano do SXSW intitulada The Buyer And The Beats: The Music Fan[s] And How To Reach Them.
O documento apresenta os resultados de um estudo conduzido pela Nielsen junto de 4000 consumidores musicais e apresenta resultados que confirmam a actual conjuntura da emergente paisagem mediática digital: os nativos digitais descobrem mais música através do YouTube do que através de qualquer outro portal ou serviço (nem sequer o Spotify com um incremento de 253% de utilizadores em 2012 lhe faz sombra); os fãs utilizam as redes sociais para obterem um relação mais pessoal com os artistas; e 75% do consumo musical pago é feito pelos fãs.
Até aqui nada de novo: o vídeo musical continua a ser o formato mediático mais procurado pelos utilizadores para a sua fruição musical, na medida em que é este que lhe possibilita uma fruição multimediática rápida e grátis. A relativa novidade é o facto de haver dados quantitativos que apontam para uma evidência: para um determinado tipo de utilizadores (fãs), o formato videomusical não implica o fim do consumo musical pago. Mais: existe um mercado em franco crescimento neste segmento específico, visível na proliferação e crescimento da audiência de plataformas de financiamento feito por fãs para projectos artísticos em que se incluem, como é óbvio, os de cariz musical: Kickstarter, PledgeMusic, Pozible, Fansnextdoor, SellaBand, ArtistShare, Indiegogo e RocketHub, entre outros.
No entanto, o que me pareceu sinceramente mais interessante é a tentativa da Nielsen em tipificar ou segmentar os fãs musicais em 3 grupos: aficionados, digitais e big box. Elaborei uma pequena tabela que permitirá, porventura, perceber melhor os critérios que motivaram a proposta de classificação da Nielsen:

A divisão é inteligível e, até certo ponto, faz sentido. Mais: este parece-me ser um belo e útil ponto de partida para a indústria musical re-equacionar o seu modelo de negócio na emergente paisagem digital. Termino com a seguinte observação: não é preciso ser nenhum especialista para rapidamente perceber que o consumo videomusical é uma característica comum ou transversal aos três tipos de fãs definidos pela Nielsen. Será desta que a indústria musical acorda para esta evidência e corrige o rumo que tem vindo a seguir nos últimos anos? A ver vamos.

