Glossário

Atirei-me finalmente a uma tarefa chatérrima que é a actualização do glossário (página do blogue e futuro anexo da tese). Acrescentei 12 novos termos relacionados sobretudo com as novas tendências da videomusicalidade (Capítulo IV): neste momento, o glossário totaliza o redondo número de 50 entradas. Tenho tentado manter essa página do blogue actualizada, porque continuo a acreditar que a mesma pode ser uma ferramenta rápida e útil para os eventuais leitores destes nacos de HTML. A propósito: apesar de ainda irmos no dia 19, Fevereiro já é o mês com mais visitas desde a criação do blogue em Janeiro de 2011 com quase um milhar de acessos. Anda tudo doido. E eu agradeço a doideira.

Glossário (actualização)

O glossário foi actualizado nas últimas semanas com a inclusão de alguns termos (o mesmo já totaliza 38 conceitos). Destaque para as definições de Textos Producentes (Producerly Texts) e de Leitura Excessiva (Excessive Reading), dois conceitos da autoria de John Fiske (2.1 FISKE 1989-1992), que, como verão na próxima semana, foram utilizados de forma sistemática na análise textual dos dois casos de estudo da minha comunicação para o Hermes 2011.

Glossário (actualização)

Uma das dificuldades que tenho sentido no projecto de investigação prende-se com o facto de estar a redigir a tese em Português. Essa opção prende-se com a minha genuína dificuldade em conformar-me com a actual hipervalorização do Inglês e o seu estatuto de língua franca da comunidade científica. No caso das ciências da comunicação, e como já o referi anteriormente, os resultados dessa hipervalorização são bem visíveis: i) uma ingénua desvalorização da qualidade do discurso face à ilusória universalidade de um “conteúdo” não raras vezes expresso em broken English; ii) a proliferação de anglicismos desnecessários em textos científicos escritos em Português; e iii) o consequente empobrecimento lexical da terminologia científica do referido idioma. Partilho, de resto, a opinião do linguista Nicholas Ostler (2.1, OSTLER, 2010), de que existem óbvios indicadores sociais, económicos e tecnológicos para crer que caminhamos (e ainda bem) para um futuro em que produção científica será manifestamente multilingue.

A principal dificuldade decorrente desta opção linguística reside no facto de se ter revelado imperiosa a criação de um aparato terminológico que não apenas traduzisse, em Português, algumas expressões anglo-saxónicas (user-generated contents, prosumers, spreadibility, drillability, etc.), mas que incluísse igualmente alguns neologismos (acafã, fanismo, transfluência, etc.) para enquadrar epistemologicamente a presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais. Desta forma, tenho vindo, desde Janeiro de 2011, a criar um glossário que inclui, por ordem alfabética, uma definição concisa não apenas do referido léxico, como de termos que são, por vezes, usados por outros autores com uma acepção distinta da que é utilizada no projecto de investigação, sobretudo quando os mesmos correspondem a conceitos operatórios isolados ou a conceitos sistémicos do modelo de análise (utilizador, blips, cânone, fruição, curadoria, propagação, disseminação, etc.).

Vem tudo isto a propósito do facto de, nas últimas semanas, ter vindo a actualizar de forma mais intensa o referido glossário. Actualmente, o mesmo já comporta 35 termos devidamente definidos e contextualizados no âmbito do projecto de investigação. Fica a dica para os eventuais leitores que queiram estar mais sintonizados com a linguagem técnica que utilizo para abordar, com variável enfado, os temas que são uma das razões de ser deste blogue.

Interactividade vs Participação

Uma das imprecisões terminológicas mais problemáticas da mediação tecnológica prende-se com a definição do termo interactividade. Anotemos, por exemplo, a definição dada por Randall Parker e Ken Jordam em Multimedia: From Wagner to Virtual Reality (itálico meu):

Interactivity: the ability of the user to manipulate and affect his experience of media directly and to communicate with others through media. (2.1, PARKER et al (eds.), 2001, p. xxviiii).

Esta definição, subscrita pelo próprio Manuel Castells em The Internet Galaxy (2.1, CASTELLS, 2002a, p. 201), é excessivamente abrangente e presta-se a algumas confusões, na medida em que tanto abrange i) a interactividade específica do medium (Web 2.0) ou de determinados produtos mediáticos (ver os vídeos musicais) como ii) a interacção mediatizada dos seus utilizadores. Parece-me muito mais frutífera a precisão terminológica de Henry Jenkins que separa com grande agudeza as duas componentes da definição, atribuindo o termo interactividade a i) e participação a ii) (itálicos meus):

Interactivy refers to the direct manipulation of media within tecnology. Participation refers to the social and cultural interactions that occur around media. (2.1, JENKINS, 2006b, pp. 137 e 305)

Desta forma, a interactividade corresponde às características tecnológicas que permitem a participação sócio-cultural dos utilizadores através de um medium ou em torno de um determinado produto mediático:

Interactividade vs participação

 

Esta distinção é particularmente operativa no caso da presença dos vídeos musicais nas plataformas digitais como veremos num próximo post dedicado aos vídeos musicais interactivos.