Jackpot videomusical

 

Ora aqui está uma pequena maravilha videomusical interactiva integralmente saída da cabeça de um trio português: Luís Clara Gomes (aka Moullinex), Sílvio Teixeira e Ana Magalhães. A história vem toda muito bem explicadinha neste artigo do P3 pelo que não há nada como irem lá ler. A engenhoca pode ser acedida aqui.

moullinexslotHá muito que admirar e elogiar nesta slot machine videomusical dos Moullinex: o conceito é original e inovador; a concretização é engenhosa e divertida (excelente o trabalho de caracterização, encenação e fotografia); a interacção homem-máquina é simples (um mero clique); a vertente promocional é diversificada (banda, música e concertos); e, sobretudo, existe uma genuína interacção entre o utilizador e a trilha sonora.

Gostei menos do facto de o URL da coisa remeter para a página de entrada do portal da banda (de certeza que não vai ficar lá para sempre, o que dará depois inevitavelmente origem a hiperligações que, em vez de remeter para a experiência interactiva, irão remeter para o que estiver no futuro nessa mesma página de entrada); da brincadeira ter encravado duas vezes (culpa do Vimeo: eu compreendo que o recurso ao portal deve ter facilitado imenso a engenharia da coisa, mas quando o Vimeo falha – e falha muitas vezes – isto tem logo repercussões dramáticas na fruição do utilizador); do prémio em caso de jackpot ser três faixas áudio e vez de um genuíno vídeo musical que poderia muito bem consistir numa montagem das (belas) imagens usadas na slot machine (a sério, penso que perderam aqui uma belíssima oportunidade); e, finalmente, do esquema manhoso para sacar endereços de e-mail (é cena de marketeiro, não havia necessidade).

Também se poderá argumentar se isto é, ou não, um vídeo musical. You know me: para mim, a definição do que é um vídeo musical será sempre algo em permanente mutação e esta belíssima LIVE MACHINE dos Moullinex é um contributo bem original para voltarmos a equacionar as fronteiras movediças do formato.

Resumindo: fabulosa empreitada. E os envolvidos estão todos de parabéns.

Poolside Radio

poolside

O Poolside Radio é um portal que tira o máximo proveito de uma ideia muito simples: misturar música dançável com imagens de comédias juvenis repletas de Sol, piscinas e corpos femininos em biquini. Ah e tudo com um denominador comum: os eighties. Os utilizadores podem fazer zapping às imagens e ainda submeter músicas para a trilha sonora. É uma espécie de vending machine videomusical: em vez de sumos e chocolates, saem snacks mediáticos. No momento em que a Europa vive fustigada pelo pior Inverno dos últimos anos, talvez seja aconselhável não menosprezar os efeitos terapêuticos deste HTML. Just saying.

Obrigado ao Hilário Amorim pela dica.

PolyFauna

radioapp

Os Radiohead acabam de lançar um app intitulada PolyFauna (iOs e Android). Segundo o próprio Thom Yorke:

    PolyFauna is an experimental collaboration between us (Radiohead) & Universal Everything, born out of The King of Limbs sessions and using the imagery and the sounds from the song Bloom. It comes from an interest in early computer life-experiments and the imagined creatures of our subconscious.

A app consiste numa espécie universo audiovisual passível de ser visualmente explorado pelo utilizador (os grafismos são decididamente retro e fazem lembrar os primórdios da animação 3D nos computadores pessoais). Apesar de haver em PolyFauna coisas muito bem conseguidas (sobretudo o facto de a música e de o grafismo ser um desdobramento do trabalho minucioso que os Radiohead, o produtor Nigel Godrich e o designer Stanley Donwood desenvolveram em The King of Limbs), é de lamentar, em primeiro lugar, o timing absolutamente desastroso do lançamento (três anos depois do álbum? a sério?) e, em segundo lugar, a paupérrima jogabilidade da engenhoca. Em matéria de experiências videomusicais em apps, o Biophilia (2011) da Bjork continua insuperável e mesmo outros exemplos como o de Home dos The Suzan, BEP360 (2011) dos Black Eyed Peas ou Bullseye (2011) dos Poliphonic Spree parecem-me bem mais conseguidos do que este, apesar de tudo, simpático PolyFauna.

O importante, pelo menos para mim, é que continue a haver malta a explorar as (imensas) potencialidades da interactividade videomusical. E estou mesmo convencido que o grande contributo de Polyfauna pode mesmo ser a sua abordagem holística, isto é, o facto de o projecto envolver não apenas engenheiros e programadores informáticos mas também a banda, o produtor e o designer gráfico.

A interactividade videomusical é capaz de ser um caso sério em 2014

tribeca

Um dos aspectos mais interessantes da cena videomusical do ano passado foi o surgimento dos primeiros vídeos musicais interactivos genuinamente dignos desse nome (estou a pensar sobretudo nos que foram produzidos para temas dos Arcade Fire, Bob Dylan e Pharell Williams). Pois bem, o Genero.TV (de que já falei aqui) acaba de lançar um projecto para a criação de três vídeos musicais interactivos para temas de gente do calibre de Damon Albarn, Aloe Blacc e Ellie Goulding. Tudo graças à plataforma interactiva Interlude que permite transformar segmentos audiovisuais numa espécie de jardim borgesiano. Ainda apenas estamos em Janeiro e a interactividade videomusical já está aí a dar cartas. Vai ser bem interessante acompanhar os resultados finais do projecto.

Felicidade para pelo menos 24 horas

happyv

De repente, parece que o subgénero dos vídeos musicais interactivos está finalmente, cerca de 7 anos após as primeiras experiências, a dar alguns frutos interessantes. Esta semana, já tivemos o vídeo zapping do Dylan e agora é a vez de Pharrell e da malta de We Are From LA nos brindar com o primeiro vídeo musical interactivo com 24h de imagens em movimento. O vídeo consiste, se não me enganei nas contas, em qualquer coisa como 15 x 24, isto é, 360 vídeos musicais performativos em que uma personagem (ou mais) faz lip-sync e dança ao som de um tema bem orelhudo (tudo sempre num único longo plano-sequência). O vídeo tem 24 cenários distintos (um para cada hora e todos eles muito bem escolhidos, formando quase um catálogo de lugares-comuns do género videomusical) e cada cenário é explorado através de 15 vídeos diferentes (isto porque cada vídeo dura 4 minutos), tendo o Pharrell direito a uma aparição em cada um destes cenários, isto é, o mano gravou, como protagonista, 24 vídeos para esta brincadeira. É obra.

Ora tudo isto é de doidos, obviamente. E ainda bem. Apesar de a parte da interacção ser muito primitiva (selecção da hora) e focar-se novamente apenas na componente visual, a experiência é divertida e cheia de easter eggs (eu já descobri a presença no vídeo de Magic Johnson, Steve Carrell, Jamie Foxx e de alguma malta do Odd Future). Há a habitual possibilidade de disseminação via facebook e Twitter e ainda uma área de comentários cuja maior virtude é fornecer dicas sobre o que se pode ver em cada hora/cenário/vídeo.

Podem desbundar esta maravilha aqui.

Adenda (26/11): e maps uma dices ali.