Dois anos

Este blogue fez ontem dois anitos e eu, ingrato, deixei a efeméride passar em claro. Em comparação ao primeiro ano, tanto o ritmo de publicação (135 vs. 150 posts), como os comentários (288 vs. 290) e os acessos (9 300 vs. 9 900) foram sensivelmente os mesmos, o que para mim é um feito, na medida em que este segundo ano foi muito mais dedicado à escrita da tese (280 vs. 125 páginas) do que à de memorandos no blogue. Na verdade, neste segundo ano fui muito mais um leitor desta plataforma do que o seu autor, na medida em que inúmeras páginas da tese consistiram num exercício de rescrita de alguns dos seus posts, o que veio mais uma vez provar a tremenda utilidade desta ferramenta no meu projecto de investigação.

No momento em que caminho a passos largos para a conclusão do doutoramento, começo a equacionar o destino a dar a este blogue. Para já, tenciono mantê-lo até à defesa da tese (se tudo correr bem, lá para setembro ou outubro próximo) e depois não faço a mínima ideia. Há, para já, duas hipóteses: continuar com o mesmo ou criar um novo. Actualmente, sinto-me mais inclinado para a segunda hipótese: afinal de contas, o mv flux foi criado com um objectivo concreto e, atingido este objectivo, creio que seria adequado deixá-lo entregue aos fantasmas do HTML como um testemunho da minha aventura doutoral. Não sou muito dado à posteridade, mas quero acreditar que haverá pelo menos uma alma que no futuro poderá encontrar aqui alguma informação ou reflexão que lhe seja útil. Isto é wishful thinking, eu sei, mas o pensamento também é por vezes feito dessa matéria ainda mais etérea que são os desejos.

Mas divago. O que queria mesmo dizer era isto: que estou extremamente grato aos leitores deste blogue, tanto os que me honraram com a sua participação como os silenciosos. Vir aqui também foi uma forma de me sentir menos só nas minhas reflexões e de encontrar ânimo para levar o meu projecto a bom porto. Estou quase lá.

Mais uma vez, o meu sincero obrigado a todos.

Relatório #8

fotografia-5

Caramba, há mais de 10 meses que não escrevia um relatório aqui no blogue. Há razões para isso. Em primeiro lugar, fui submetido a uma cirurgia horrível (litotricia por laser) para dar cabo de um cálculo renal de 11mm alojado no ureter, fruto de uma deficiente hidratação pré e pós-corridas. A recuperação foi lenta e penosa: meses e meses com dores que, felizmente, não me retiraram a minha paixão pela corrida (já lá vou). Em segundo lugar, para além da escrita de dois artigos e na participação de um colóquio (sou cada vez menos fã destes eventos académicos – gosto é de ler, caramba), os preparativos de uma próxima mudança de casa tornaram as últimas semanas um corrupio de cálculos, orçamentos e decisões que nunca são fáceis de tomar.

A tese? Está boazita, obrigado. Após ter dado uma leitura geral e actualizado o documento, vou em plena redacção do quinto (e penúltimo) capítulo e já vejo uma luzita jeitosa ao fundo do túnel. Dos cinco casos de estudos, já despachei três (e logo os mais difícieis). Neste momento, falta-me abordar mais dois casos (ou apenas um, pois ainda não sei se se justifica o quarto) e, claro, o capítulo final, isto é, a conclusão. Deve ser difícil ter uma primeira versão completa da tese até ao final do ano, mas penso que a coisa não passa de Janeiro. Escrever isto até me faz tremer os dedos: o final desta odisseia nunca me pareceu tão próximo.

A partir de agora podem começar a tratar-me por “maratonista”. É verdade, consegui finalmente: uma maratona está no papo. Participei e concluí no passado dia 28 de Outubro a 9.ª edição da Maratona do Porto. Não me perguntem como, que não sei. Para além de estar longe do meu pico de forma (estive engripado nas duas semanas anteriores à prova), estava uma ventania descomunal no dia da maratona. Contei com a ajuda de um bacano chamado Miguel Paiva (que correu ao meu lado) e da minha querida Manela que, a partir do km 30, nos acompanhou de bicicleta com água e mantimentos após ter feito os 16km da Family Race. Terminei em 4h46m35s (média de 6m44s por km), tempo modesto mas o grande objectivo era mesmo chegar ao fim. Se até ao km 32 as coisas correram de forma mais ou menos prevista no ritmo conservador que tinha definido (6m15s por km), depois é que foram elas. O famigerado “muro” existe mesmo e percebi-o de duas formas: no meu joelho esquerdo que estoirou e em dores lancinantes na zona da anca que se fizeram sentir dois últimos quilómetros da prova. Mas nada, absolutamente nada, foi comparável à inacreditável alegria de ter conseguido terminado aqueles 42.520 metros (segundo o meu Garmin). Percebi também que uma maratona não termina quando se cruza a meta, mas que se prolonga nos dias seguintes: febre e dores musculares que acolhi como se fossem medalhas da minha inacreditável façanha. Em Abril, talvez me meta noutra. A ver.

A corrida e a investigação sempre foram, para mim, duas faces da mesma moeda. Comecei a correr praticamente quando me meti no doutoramento e foi ao longo das corridas que resolvi muitos dos problemas com que me fui deparando ao longo da tese. Quando criei este blogue, apontei de imediato esta relação simbiótica, pelo que não me surpreende nada que tenha conseguido correr a minha primeira maratona no preciso momento em que a escrita da tese se aproxima do fim.

Relatório #7

Há cerca de meio-ano que não publicava aqui um relatório. A ideia desta série mensal de posts, para além de dar conta dos progressos da escrita da tese, era sobretudo auto-disciplinadora: todos os meses, sentia-me forçado a fazer alguma coisa na investigação de forma a ter matéria para referir em cada um dos posts. O que aconteceu nos últimos seis meses é que a redacção da tese entrou numa fase vertiginosa: escrevi cerca de 150 páginas e, neste momento, terei cerca de 75% do trabalho concluído. Podem espreitar o índice da tese aqui: já tenho 4 dos 6 capítulos concluídos, faltando-me “apenas” o capítulo dedicado aos casos de estudo e a conclusão (a vermelho). O título da tese também sofreu mais uma alteração (penso que será a última) e agora dá-se pelo nome de A convergência dos vídeos musicais na Web Social: Conceptualização e Análise. Catita.

Nos próximos dois meses, no entanto, as coisas vão andar praticamente paradas no que diz respeito à redacção da tese. Tenho dois artigos para escrever em Inglês e ainda algumas tarefas a levar a cabo na Lyra ComPoetics (reformulação do portal, desenvolvimento da linha de investigação Metalyra e supervisão da criação de uma revista electrónica), pelo que, se tudo correr bem, prevejo dedicar-me ao 5.º capítulo só lá para Junho e conclui-lo antes de Agosto de forma a partir de férias com uma leveza de pluma na alma. A ver vamos.

Um ano

Este blogue faz hoje um anito. Quando publiquei o primeiro post, estava longe de adivinhar o quão útil esta plataforma se viria a revelar para o meu trabalho de investigação. Na verdade, para ser sincero, arranquei com este blogue porque me sentia um pouco apreensivo com o rumo da minha vida: tinha deixado de trabalhar há 3 meses para me dedicar totalmente ao meu projecto de doutoramento e a atribuição de uma bolsa de investigação rapidamente deixou de ser uma fonte de alegria para se tornar num foco de preocupação: que raios, agora vou ter mesmo que escrever o raio da tese. O blogue foi, por isso, na sua fase inicial, sobretudo terapêutico: permitiu-me libertar paulatinamente da pressão e começar a esboçar algumas (tímidas) reflexões sobre o tema da minha investigação: a videomusicalidade na emergente paisagem mediática digital. Quando, há cerca de meio ano, encetei a escrita do capítulo central da tese, percebi com alguma surpresa que já tinha publicado aqui imenso trabalho que se estava a revelar extremamente útil para a estrutura geral do documento: inúmeras páginas ancoraram-se nos memorandos que se encontram a fermentar nos arquivos do blogue e nos comentários deixados pelos leitores.

Alguns números. No último ano publiquei 150 posts que suscitaram 290 comentários por parte da sua dezena de milhares de leitores. A página mais acedida foi, como seria de esperar, a da bibliografia que, no último ano, praticamente duplicou o seu número de referências. Os leitores chegaram aqui sobretudo através do motor de pesquisa do Google (40%) e da minha página pessoal do facebook (8%). O blogue tem actualmente 32 subscritores e totaliza 133 referências em plataformas como o facebook (80), o Digg (34) e o Twitter (19). Finalmente, o blogue despoletou igualmente o contacto via e-mail de investigadores oriundos de países como a Itália, Alemanha, Irlanda, Roménia, Brasil e Estados Unidos.

Conclusão: isto valeu mesmo a pena. O meu sincero obrigado a todos.

Relatório #6


.
1) Não há muito a acrescentar em relação ao último relatório: continuo a trabalhar na MetaLyra (uma nova linha/corda de investigação do Lyra ComPoetics) e já comecei a preparar a minha ida ao The Image Conference. Mas a verdade, verdadinha, é que as férias estão aí e o cansaço acumulado não me irá permitir grandes voos na investigação ao longo das próximas semanas. Por isso, é expectável que o blogue entre em hibernação até ao final de Agosto. Não vai custar nada.

2) As corridas. Já vou na sexta semana de treinos rumo à Maratona do Porto. As primeiras semanas foram duríssimas: até já estava habituado a correr distâncias mais longas, mas não de forma tão intensa (um dia de repouso por semana) e o corpo sentiu o esforço. Agora, apesar do número de km estar a aumentar cada vez mais, sinto-me progressivamente melhor e com o ânimo bem alto. Tenho conseguido cumprir o plano a 100% e, na verdade, dos 30 treinos já realizados apenas recordo de um em que, realmente, não me apeteceu fazer (num final de tarde com rajadas fortíssimas). Tenho vindo a ultrapassar algumas marcas pessoais de km percorridos tanto semanalmente (73 km) como mensalmente (265 km). Continuo expectante e moderamente confiante. E começo a perceber o que me têm dito alguns corredores mais experientes: numa maratona, o difícil é cumprir os treinos de preparação; o dia da corrida não passa(rá) de uma mera e alegre formalidade. Tá bem, abelha.