Beyoncé (Visual Album)

beyonce-visual-albumA Beyoncé acaba de lançar um disco homónimo no iTunes. O que torna a coisa interessante é a surpresa do anúncio, o facto de o lançamento ser exclusivamente digital e, SOBRETUDO, o de trazer mais vídeos musicais (17) do que temas (14). Diz que a coisa é um (rufar de tambores) visual album. Calma, a menina explica-se:

I see music. It’s more than just what I hear. When I’m connected to something, I immediately see a visual or a series of images that are tied to a feeling or an emotion, a memory from my childhood, thoughts about life, my dreams or my fantasies. And they’re all connected to the music.

I didn’t want to release my music the way I’ve done it. I am bored with that. I feel like I am able to speak directly to my fans. There’s so much that gets between the music, the artist and the fans. I felt like I didn’t want anybody to give the message when my record is coming out. I just want this to come out when it’s ready and from me to my fans.

I just want to give my album to the people I love and respect and hope that they feel the same thing I felt when I made the music. (fonte)

Como é óbvio, não há nada de revolucionário nisto e até denuncio aqui um certo conservadorismo ao pedir 16 euros à malta para comprar tudo no iTunes (sim, eu fui um dos camelos, mas a investigação oblige). Isto, no fundo, não passa de mais um exemplo (eloquente e importante devido à dimensão planetária da artista) de uma das tendências videomusicais que identifiquei no meu projecto de investigação: as séries videomusicais.

É possível fazer remontar a origem desta tendência aos video albums (se calhar foi por isso que a Beyoncé chamou à sua cena visual album, para dar ares de cena nova e diferente), objectos físicos materializados em suportes electromagnéticos constituídos por vídeos musicais cujo alinhamento correspondia à sequência de faixas de um álbum musical. Curiosamente, o primeiro video album é mesmo anterior ao surgimento da própria MTV e remonta a 1979, ano em David Mallet realizou um vídeo musical para cada uma das canções de Eat To The Beat dos Blondie. Apesar de os video albums virem a obter alguma notoriedade nas décadas seguintes com o desenvolvimento do mercado do VHS e dos DVDs, a verdade é que os mesmos, devido aos custos de produção, continuavam em grande medida restritos a projectos musicais mainstream. Com a convergência digital, o âmbito das séries videomusicais ampliou-se consideravelmente e acredito mesmo que caminharemos para uma paisagem mediática em que serão cada vez mais raros os temas musicais que não terão uma dimensão visual sob a forma de um vídeo musical.

Este lançamento da Beyoncé vai, no entanto, ficar como um marco na história do formato. Pela dimensão da artista, como já referi, mas igualmente pelo valor intrínseco da empreitada. Acabei de ver e ouvir a coisa toda pela primeira vez há minutos e fiquei com a nítida sensação que há aqui um virar de página na história da produção videomusical. Deixo-vos uma lista de reprodução do YouTube com excertos de 30 segundos de cada vídeo para ficarem a salivar.

Eis a (sonante) lista de realizadores envolvidos: Melina Matsoukas, Jonas Akerlund, Hype Williams, @LILINTERNET, Ricky Saiz, Jake Nava, Francesco Carrozzini, Todd Tourso, Ed Burke, Bill Kirstein, Pierre Debusschere, Terry Richardson, Todd Tourso, Bill Kirstein e a própria Beyoncé (obviously).

Trapped In The Closet

A clássica série videomusical Trapped In The Closet de R. Kelly acaba de ganhar um novo fôlego. Após ter produzido e lançado os primeiros 22 episódios entre Maio e Junho de 2005, o cantor norte-americano está a lançar diariamente um novo episódio numa página do portal da IFC, que, para além da série, contém pequenas biografias das personagens e alguns extras. Pelos vistos, a coisa não vai ficar por aqui e está na calha uma adaptação da série para Broadway e a produção de mais umas dezenas de episódios.

Andreas Nilsson

Andreas Nilsson é uma velha paixão minha: descobri-o em 2006 com o vídeo musical que realizou para Silent Shout dos The Knife e, fã de David Lynch como sou, aderi de imediato ao seu universo estético marcadamente surrealista. Nos últimos 5 anos, o realizador sueco tem mantido um ritmo de produção não apenas regular no débito como na qualidade (espreitem lá o portal do rapaz onde podem ver na íntegra todos os vídeos musicais que ele realizou desde 2001). Deixo-vos aqui os seus dois últimos trabalhos para Miike Snow que formam os dois primeiros capítulos de uma fascinante e desconcertante série videomusical.

Pitchfork TV no YouTube

Ora aqui está uma grande notícia: a Pitchfork TV vai (finalmente) migrar para o YouTube através de um canal onde irá concentrar diversos conteúdos audiovisuais, entre os quais as dezenas de séries videomusicais que a revista tem mantido nos últimos dois anos (de resto, já foram para lá migrados mais de quatrocentos de vídeos).

Esta notícia é importante porque, até à data, a Pitchfork era um caso raro de sucesso anacrónico na rede: para além de ser há vários anos a mais influente revista electrónica de música indie (com centenas de milhares de acessos por dia), a mesma era porventura a única publicação do género que ainda não tinha convergido para a Web Social, isto é, era impossível até hoje publicar comentários sobre quaisquer conteúdos da revista. De resto, a perplexidade que causa esta (inevitável e tardia) mudança é bem legível em diversos comentários que já pululam no novo canal do YouTube da revista, como por exemplo este:

Great content for Youtube. But honestly knowing Pitchfork I thought that the ratings and comments would be disabled. (ssurgeon00 @ YouTube)

A acompanhar com atenção.

Biophilia: vem aí mais uma série videomusical

A Björk tem uma reputação a defender no universo dos vídeos musicais ou não fosse a cantora islandesa senhora de uma das mais vibrantes videografias dos últimos 20 anos.

Pois bem, parece que Biophilia, o seu novo disco, vai ser simultaneamente lançado sob a forma de um álbum convencional e de uma série videomusical que consistirá num vídeo para cada uma das suas dez faixas (com um realizado por um dos meus realizadores favoritos: o grande Michel Gondry).

Adicionalmente, o disco e os vídeos também serão disponibilizados sob a forma de um pacote de 10 apps para o iPad. Cada uma dessas apps será interactiva e, pormenor fundamental, irão sendo constantemente actualizadas ao longo das primeiras semanas de edição do disco.

A seguir atentamente. A coisa promete.

Ungdomskulen: «Gimme Ten» (Blank Blank, 2011)

 

Mais uma série videomusical (não há nada a fazer, é definitivamente uma tendência), desta vez particularmente em sintonia com as práticas dos utilizadores das plataformas digitais (multitasking, short attention span e quejandos): cada tema/vídeo tem apenas 1 minuto de duração e as faixas poderão ser descarregadas gratuitamente todas as segundas e sextas entre os próximos dias 2 de Maio e 3 de Junho aqui (e o respectivo elemento da série videomusical disponível ali). Particularmente digno de nota é o facto de esta primeira amostra ser, na minha viciada e nada modesta opinião, verdadeiramente admirável tanto musical como visualmente. A acompanhar com muita atenção. A coisa promete.

(via Clash Music)

TV On The Radio: «Nine Types of Light» (Tunde Adebimpe, 2011)

Depois do trailer, a obra que, ou muito me engano, irá entrar directamente para a história do formato. O resultado é, a todos os níveis, surpreendente. Apesar de se confirmar estarmos perante uma série e não uma média-metragem videomusical (atentar aos separadores com talking heads entre cada vídeo), a forma como é disponibilizada é bastante original: numa única sequência videomusical na página oficial do Vevo no Youtube. A opção é bem arriscada e, receio, pouco eficiente: qual será a disponibilidade dos utilizadores para despenderem quase uma hora na fruição deste belo objecto videomusical? Tirando este aspecto (nada displicente) ao nível da sua recepção, a série, na minha modesta opinião, compensa bem todos os segundos que lhe dedicarmos.

Séries videomusicais: mais um exemplo

 

Aqui está o mais recente (e eloquente) exemplo de uma das manifestas tendências da videomusicalidade: a das séries musicais. Desta vez são os TV On The Radio que irão disponibilizar um filme composto por dez vídeos musicais (o primeiro pode ser visto aqui) para cada um dos temas do novo disco da banda. Kyp Malone, um dos membros da banda, parece estar bem a par das cores com que se pinta a actual paisagem mediática digital (itálico meu):

I think that there’s still a mindset that you have to make do with whatever the budget is for your videos and put it behind the two potential singles, which is some antiquated model of what’s supposed to happen.

(via CoS)

De notar que o vídeo incorporado no início deste post é um trailer de promoção para uma série de vídeos musiciais que servem para promover o trabalho musical de uma banda; ou seja, estamos perante um objecto promocional de 2.º grau.

Duas figuras (tristes)

Deixo aqui duas figuras (tristes porque monocromáticas) que procuram esquematizar algumas reflexões anteriormente expostas no blogue sobre a convergência digital dos vídeos musicais.

A primeira surge na sequência destes dois posts e sintetiza a convergência de três formatos videomusicais nas plataformas digitais: o videoclipe (optei por essa designação para sublinhar o facto de estar a falar de um objecto de difusão eminentemente televisiva) em vídeo musical na Web (no projecto de investigação, irei optar pelo neologismo fluxo videomusical); o video album (VHS e DVD) em séries videomusicais e as óperas-rock (espectáculo performativo ou cinematográfico) em médias-metragens videomusicais.

Convergência digital de formatos videomusicais

 

A segunda deriva deste post, onde procurei expor a complexidade da definição dos vídeos musicais no contexto da sua convergência digital decorrente do facto dos contornos do formato estarem cada vez mais esbatidos ou menos nítidos, sobrepondo-se a outros formatos audiovisuais que vão dos convencionais videoclipes televisivos ao cinema, passando pelos spots publicitários, a vídeo-arte, os jogos de vídeo, trailers e conteúdos gerados pelos utilizadores (CGUs) com os fan-made videos, o vlogging, entre outras formas de produção vernacular.

Convergência digital de formatos audiovisuais para a videomusicalidade