Boards of Canada: Tomorrow’s Harvest (The Movie)

Não conheço nenhum caso anterior, pelo que existe a probabilidade de isto ser mesmo uma novidade na esfera do formato: uma comunidade de fãs compilar uma série videomusical em que os vídeos realizados pelos fãs cobrem a totalidade dos temas de um disco de originais de uma banda. Essa banda, como não podia deixar de ser, são os Boards of Canada, talvez o projecto musical cuja música mais vídeos inspira na rede. O que torna a coisa ainda mais interessante (e híbrida) é o facto de estar incluído na série o vídeo oficial de Reach for The Dead de Neil Krug que, como já tive a oportunidade de referir antes, não passava de um fã voluntarioso que fazia vídeos caseiros ao som de temas da banda antes de ter sido contratado pelos dupla escocesa. A qualidade do resultado final é surpreendentemente elevada do princípio ao fim e é mais do que digna da fabulosa música dos manos Michael Sandison e Marcus Eoin.

CRÉDITOS: “Gemini” by Beta 401 * “Reach For The Dead” by Neil Krug * “White Cyclosa” by TBJ Productions * “Jacquard Causeway” by Mhorg * “Telepath” by Drog * “Cold Earth” by Julien Lavigne * “Transmisiones Ferox” by Carlos C. * “Sick Times” by David Mike * “Collapse” by MrSeriouslySerious * “Palace Posy” by Yellow Jacket * “Split Your Infinities” by Carlos C. * “Uritual” by Fabien Dendievel * “Nothing Is Real” by Iphanners * “Nwodnus Sundown” by Faastwalker * “New Seeds” by Alexis Zeville * “Come To Dust” by Jason Donervan * “Semena Mertvykh” by Turk242.

Beyoncé (Visual Album)

beyonce-visual-albumA Beyoncé acaba de lançar um disco homónimo no iTunes. O que torna a coisa interessante é a surpresa do anúncio, o facto de o lançamento ser exclusivamente digital e, SOBRETUDO, o de trazer mais vídeos musicais (17) do que temas (14). Diz que a coisa é um (rufar de tambores) visual album. Calma, a menina explica-se:

I see music. It’s more than just what I hear. When I’m connected to something, I immediately see a visual or a series of images that are tied to a feeling or an emotion, a memory from my childhood, thoughts about life, my dreams or my fantasies. And they’re all connected to the music.

I didn’t want to release my music the way I’ve done it. I am bored with that. I feel like I am able to speak directly to my fans. There’s so much that gets between the music, the artist and the fans. I felt like I didn’t want anybody to give the message when my record is coming out. I just want this to come out when it’s ready and from me to my fans.

I just want to give my album to the people I love and respect and hope that they feel the same thing I felt when I made the music. (fonte)

Como é óbvio, não há nada de revolucionário nisto e até denuncio aqui um certo conservadorismo ao pedir 16 euros à malta para comprar tudo no iTunes (sim, eu fui um dos camelos, mas a investigação oblige). Isto, no fundo, não passa de mais um exemplo (eloquente e importante devido à dimensão planetária da artista) de uma das tendências videomusicais que identifiquei no meu projecto de investigação: as séries videomusicais.

É possível fazer remontar a origem desta tendência aos video albums (se calhar foi por isso que a Beyoncé chamou à sua cena visual album, para dar ares de cena nova e diferente), objectos físicos materializados em suportes electromagnéticos constituídos por vídeos musicais cujo alinhamento correspondia à sequência de faixas de um álbum musical. Curiosamente, o primeiro video album é mesmo anterior ao surgimento da própria MTV e remonta a 1979, ano em David Mallet realizou um vídeo musical para cada uma das canções de Eat To The Beat dos Blondie. Apesar de os video albums virem a obter alguma notoriedade nas décadas seguintes com o desenvolvimento do mercado do VHS e dos DVDs, a verdade é que os mesmos, devido aos custos de produção, continuavam em grande medida restritos a projectos musicais mainstream. Com a convergência digital, o âmbito das séries videomusicais ampliou-se consideravelmente e acredito mesmo que caminharemos para uma paisagem mediática em que serão cada vez mais raros os temas musicais que não terão uma dimensão visual sob a forma de um vídeo musical.

Este lançamento da Beyoncé vai, no entanto, ficar como um marco na história do formato. Pela dimensão da artista, como já referi, mas igualmente pelo valor intrínseco da empreitada. Acabei de ver e ouvir a coisa toda pela primeira vez há minutos e fiquei com a nítida sensação que há aqui um virar de página na história da produção videomusical. Deixo-vos uma lista de reprodução do YouTube com excertos de 30 segundos de cada vídeo para ficarem a salivar.

Eis a (sonante) lista de realizadores envolvidos: Melina Matsoukas, Jonas Akerlund, Hype Williams, @LILINTERNET, Ricky Saiz, Jake Nava, Francesco Carrozzini, Todd Tourso, Ed Burke, Bill Kirstein, Pierre Debusschere, Terry Richardson, Todd Tourso, Bill Kirstein e a própria Beyoncé (obviously).

Trapped In The Closet

A clássica série videomusical Trapped In The Closet de R. Kelly acaba de ganhar um novo fôlego. Após ter produzido e lançado os primeiros 22 episódios entre Maio e Junho de 2005, o cantor norte-americano está a lançar diariamente um novo episódio numa página do portal da IFC, que, para além da série, contém pequenas biografias das personagens e alguns extras. Pelos vistos, a coisa não vai ficar por aqui e está na calha uma adaptação da série para Broadway e a produção de mais umas dezenas de episódios.

Andreas Nilsson

Andreas Nilsson é uma velha paixão minha: descobri-o em 2006 com o vídeo musical que realizou para Silent Shout dos The Knife e, fã de David Lynch como sou, aderi de imediato ao seu universo estético marcadamente surrealista. Nos últimos 5 anos, o realizador sueco tem mantido um ritmo de produção não apenas regular no débito como na qualidade (espreitem lá o portal do rapaz onde podem ver na íntegra todos os vídeos musicais que ele realizou desde 2001). Deixo-vos aqui os seus dois últimos trabalhos para Miike Snow que formam os dois primeiros capítulos de uma fascinante e desconcertante série videomusical.

Pitchfork TV no YouTube

Ora aqui está uma grande notícia: a Pitchfork TV vai (finalmente) migrar para o YouTube através de um canal onde irá concentrar diversos conteúdos audiovisuais, entre os quais as dezenas de séries videomusicais que a revista tem mantido nos últimos dois anos (de resto, já foram para lá migrados mais de quatrocentos de vídeos).

Esta notícia é importante porque, até à data, a Pitchfork era um caso raro de sucesso anacrónico na rede: para além de ser há vários anos a mais influente revista electrónica de música indie (com centenas de milhares de acessos por dia), a mesma era porventura a única publicação do género que ainda não tinha convergido para a Web Social, isto é, era impossível até hoje publicar comentários sobre quaisquer conteúdos da revista. De resto, a perplexidade que causa esta (inevitável e tardia) mudança é bem legível em diversos comentários que já pululam no novo canal do YouTube da revista, como por exemplo este:

Great content for Youtube. But honestly knowing Pitchfork I thought that the ratings and comments would be disabled. (ssurgeon00 @ YouTube)

A acompanhar com atenção.