Relatório #9

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A escrita da tese vai entrar nas próximas semanas em hibernação. Pretendo voltar a pegar nela lá para março e reler tudo de fio a pavio, fazer eventuais alterações ou actualizações, e depois mergulhar na escrita do derradeiro capítulo. Vai ser uma tarefa intensa e demorada e preciso mesmo de me afastar do documento para depois olhar para as suas mais de 300 páginas com um olhar fresco e o meu sentido crítico apurado. Ando igualmente com a ideia de converter a tese num formato livro (físico ou ebook, não sei bem) em Inglês. Traduzi um subcapítulo recentemente e fiquei agradavelmente surpreso com o resultado. A ver vamos.

Entretanto, há uma série de artigos meus em órbita. Alguns já foram publicados, outros estão no prelo, outros foram submetidos e, por fim, outros ainda estão a ser redigidos (tarefa a que me irei dedicar nas próximas semanas). Vou aproveitar este post para fazer um pequeno ponto de situação desta importante vertente do meu trabalho de investigação.

> Publicados

COSTA, João Pedro da (2012), É Viral, Ninguém Leva A Mal in Viral Agenda (13/12).

COSTA, João Pedro da (2010), YouTube vs Vimeo: uma análise comparativa de acessibilidade, usabilidade e desejabilidade para os utilizadores de fluxos videomusicais in Prisma, revista electrónica do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (cetac.media), n.º 11.

COSTA, João Pedro da (2009), Fluxos videomusicais: uma proposta epistemológica para o estudo dos vídeos musicais na Web 2.0 in Prisma, revista electrónica do Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (cetac.media), n.º 9.

COSTA, João Pedro da (2008), How to make a nice music video text with no money. Sobre a videografia de Rui de Brito in Vimus 2008. Catálogo do II Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, pp. 51-56.

COSTA, João Pedro da (2007), Uma aproximação à obra de José Pinheiro in Vimus 2007. Catálogo do I Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim, Póvoa de Varzim: Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, pp. 55-57.

> No prelo

COSTA, João Pedro da; Rui RAPOSO (2013?), «A difusão na Web Social: o caso dos vídeos musicais» in PASSARELLi, Brasilina; Armando MALHEIRO (org.), Informação e Comunicação em Plataformas Digitais: Paradigmas e Aplicações, São Paulo: SENAC.

COSTA, João Pedro da (2013?), «The Digital Meta-Dissemination of Fear in Music Videos. A transdisciplinary textual analysis of two case studies: Esben and the Witch’s Marching Song and M.I.A.’s Born Free» in ARAÚJO, Susana; Marta Pacheco PINTO, Sónia RIBEIRO, and Kristian Van HAESENDONCK (org.), Fear and Fantasy in a Global World, Centre for Comparative Studies of the Faculty of Letters of the University of Lisbon.

> Submetido

COSTA, João Pedro da (2013?), «A difusão videomusical na Web Social: o caso de Average Homeboy de Denny Blaze», Comunicação e Sociedade, 23, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.

> Em redacção (proposta submetida e aprovada)

COSTA, João Pedro da (2013?), «Redactional practices in online music videos», The International Journal of the Image, Chicago.

> Em redacção (proposta submetida e a aguardar aprovação)

COSTA, João Pedro da (2013?), «A difusão vertical na Web Social. O caso do vídeo musical Heaven Can Wait no Antville» in RIBEIRO, Fernanda (org.), Informação e/ou Conhecimento: as duas faces de Jano, ISKO.

O passado mês de janeiro superou com 1561 acessos o anterior máximo do blogue registado em fevereiro de 2012 (1280). Que um tema tão bissexto como a videomusicalidade digital, para mais abordado em Português e sob uma perspectiva académica, consiga congregar tantos leitores é para mim uma surpresa e um mistério. E, claro está, um enorme motivo de satisfação.

Nota

Mais alterações silenciosas e pouco visíveis no blogue. Acrescentei uma página relativa a alguns elementos da amostra teórica da investigação (que está listada aqui).

Como já referi aqui inúmeras vezes, um dos objectivos deste blogue é tornar mais cómoda a leitura de um documento impresso em papel (tese) com constantes remissões para vídeos musicais alojados na Web. Ora esta nova página destina-se sobretudo aos leitores do referido documento que encontrarão lá listados e hiperligados todos os vídeos referidos ao longo do capítulo IV intitulado Novas Tendências da Videomusicalidade: a sua visualização fica assim doravante à distância de um mero clique. Esta página vem igualmente complementar a anterior dedicada aos casos de estudo (capítulo V).

E com isto penso ter concluído a inserção de toda a informação e de todas as ferramentas de visualização que queria munir a página do blogue dedicada ao design de investigação. Foi um trabalho chato, longo e, para já, ingrato. Espero que quem venha ler a tese no futuro (arguentes e não só) saiba tirar proveito de todas as suas funcionalidades.

Amostra teórica

Dois anos

Este blogue fez ontem dois anitos e eu, ingrato, deixei a efeméride passar em claro. Em comparação ao primeiro ano, tanto o ritmo de publicação (135 vs. 150 posts), como os comentários (288 vs. 290) e os acessos (9 300 vs. 9 900) foram sensivelmente os mesmos, o que para mim é um feito, na medida em que este segundo ano foi muito mais dedicado à escrita da tese (280 vs. 125 páginas) do que à de memorandos no blogue. Na verdade, neste segundo ano fui muito mais um leitor desta plataforma do que o seu autor, na medida em que inúmeras páginas da tese consistiram num exercício de rescrita de alguns dos seus posts, o que veio mais uma vez provar a tremenda utilidade desta ferramenta no meu projecto de investigação.

No momento em que caminho a passos largos para a conclusão do doutoramento, começo a equacionar o destino a dar a este blogue. Para já, tenciono mantê-lo até à defesa da tese (se tudo correr bem, lá para setembro ou outubro próximo) e depois não faço a mínima ideia. Há, para já, duas hipóteses: continuar com o mesmo ou criar um novo. Actualmente, sinto-me mais inclinado para a segunda hipótese: afinal de contas, o mv flux foi criado com um objectivo concreto e, atingido este objectivo, creio que seria adequado deixá-lo entregue aos fantasmas do HTML como um testemunho da minha aventura doutoral. Não sou muito dado à posteridade, mas quero acreditar que haverá pelo menos uma alma que no futuro poderá encontrar aqui alguma informação ou reflexão que lhe seja útil. Isto é wishful thinking, eu sei, mas o pensamento também é por vezes feito dessa matéria ainda mais etérea que são os desejos.

Mas divago. O que queria mesmo dizer era isto: que estou extremamente grato aos leitores deste blogue, tanto os que me honraram com a sua participação como os silenciosos. Vir aqui também foi uma forma de me sentir menos só nas minhas reflexões e de encontrar ânimo para levar o meu projecto a bom porto. Estou quase lá.

Mais uma vez, o meu sincero obrigado a todos.

Coda

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É uma ocorrência relativamente comum presumir que a fruição musical é uma experiência meramente auditiva.

Na verdade, não é, nem nunca o foi.

Antes da possibilidade de gravação de registos sonoros, a fruição musical implicava sempre a copresença do(s) intérprete(s) e da sua audiência. Das percussões corporais dos antropoides do Plioceno aos blues men do delta do Mississippi, passando pelos aedos da Antiguidade e pelos cantores líricos da ópera italiana, a dimensão visual foi incessantemente uma componente indissociável da fruição musical: ouvir música implicava ver os gestos, as expressões e a encenação performativa dos seus intérpretes. O surgimento da notação musical, cuja história remonta às inscrições cuneiformes da Mesopotâmia, apenas veio modalizar esta íntima relação, na medida em que a leitura de um desses suportes manuscritos ou impressos se destinava sobretudo à sua posterior interpretação perante uma audiência. Mesmo nos casos hipotéticos em que a interpretação fosse solitária ou em que os ouvintes (ou, para ser mais preciso, os espectadores) estivessem de olhos fechados, a percepção musical implica quase sempre uma experiência sinestésica devido à inegável capacidade da música em invocar memórias e imagens na mente dos seus fruidores.

Com o advento da gravação e reprodução de registos sonoros no final do séc. XIX e da radiofonia no início do séc. XX, torna-se pela primeira vez possível uma fruição musical deferida que dispensa a presença dos intérpretes. Não é por acaso que o início da comercialização de pautas musicais no final do séc. XVIII e dos fonógrafos no início do séc. XX constituem os dois momentos mais importantes do surgimento da música popular: foram ambos que desencadearam e intensificaram um longo processo de distribuição da experiência musical (mediatizada num bem económico, produto ou mercadoria) a um grupo cada vez mais amplo e socioculturalmente heterogéneo de consumidores. Enquanto que nos espetáculos ao vivo se acentuava a componente visual da fruição musical com a crescente presença de adereços, guarda-roupa, iluminação e projecção de vídeos em palco, a comercialização de suportes eléctricos (cilindros fonográficos, discos de grafonola e vinis) e electromagnéticos (bandas e cassetes) rapidamente colmatou a potencial ausência de uma dimensão visual com a introdução de imagens através de novos media que lhes são indissociáveis. As capas, os inlays, os pósteres, os flyers e todo o tipo de merchandising não apenas são telas altamente codificadas através das quais fotógrafos, pintores, ilustradores e designers gráficos prolongam visualmente uma determinada identidade musical, como se tornariam em componentes fundamentais da fruição da música popular e da definição tribal dos seus fãs ou consumidores.

Paralelamente, a dimensão visual das gravações musicais iniciava um trajeto fascinante pelas imagens em movimento. Para além do cinema dito “sonoro” se estrear com um musical, os Soundies (na década de 40) e os Scopitones (nas décadas de 50 e 60) são os primeiros formatos mediáticos expressamente produzidos para conferir uma dimensão audiovisual à música popular em locais tão diversos como bares, clubes noturnos, restaurantes, fábricas e agremiações culturais. A curta vida destas efémeras video jukeboxes deveu-se à rápida invasão de um pequeno dispositivo nos lares de um número crescente de consumidores: a televisão. Em meados da década de 50, a cultura jovem, e o rock’n’roll por extensão, tinham adquirido um protagonismo sociocultural que o medium televisivo não podia mais ignorar. Da primeira aparição de Elvis Presley no The Ed Sullivan Show ao surgimento da MTV distam apenas 25 anos, um período de tempo relativamente curto em que a música popular foi sempre consolidando a sua relação com o pequeno ecrã, quer através de programas televisivos de música ao vivo ou em playback, quer através da teledifusão de um formato que foi, pouco a pouco, ganhando a sua própria identidade: o vídeo musical.

Um ano depois de um canal televisivo ter sido criado para transmitir exclusivamente o formato videomusical, a comercialização dos primeiros suportes digitais de gravação musical representou o primeiro momento em que a até então crescente preponderância da dimensão visual na música popular sofreu o seu primeiro contratempo. Se a diminuição do tamanho das capas do vinil para o CD (de 25x30cm para 12x12cm) não se fez tanto sentir em alguns consumidores é porque, nas décadas de 80 e 90, o vídeo musical viveu a sua época de ouro e movimentou centenas de milhões de telespectadores e de dólares. No entanto, com a desmaterialização do registos musicais em bits e bytes iniciada em meados da década de 90, tudo se precipita: o colapso da indústria discográfica força a rede de canais da MTV a rapidamente abandonar um formato que, de um dia para o outro, deixou de ser rentável; e as capas e os inlays outrora omnipresentes na fruição musical desaparecem ou vêem-se reduzidos a meros ficheiros jpegs de baixíssima resolução. Apesar de a fruição musical não ter nunca perdido a sua componente visual, é inegável que, de um momento para o outro, o seu crescente protagonismo sofreu um assinalável e inesperado revés.

Foi uma nuvem de pouca dura. Quando muito gente proclamava a morte do vídeo musical, eis que, no limiar do milénio, o formato migra, pouco a pouco, mas de forma decidida, da televisão para a Internet. Com o surgimento da Web Social e de autênticos vórtices audiovisuais como o YouTube, o vídeo musical torna-se rapidamente no formato mais fruído e difundido nas plataformas digitais. Este renascimento deve-se, em grande parte, ao facto de os utilizadores terem eleito o vídeo musical o formato digital que melhor lhes garante, de forma quase exclusiva e gratuita, uma experiência musical multimediática outrora proporcionada pela acção conjunta de uma série heterogénea e nem sempre gratuita de dispositivos. Não causa por isso surpresa que, hoje em dia, o vídeo musical tenda a ser não apenas o formato mediático mais utilizado para fruir música online, mas para fruir música tout court, destronando a pretérita hegemonia da rádio e do CD.

Serve esta breve introdução não apenas para contextualizar o âmbito da presente investigação como para expressar o seu mais importante corolário: estudar a convergência dos vídeos musicais na Web Social é sobretudo descobrir e articular indícios desta fabulosa odisseia humana pela fruição musical que, desde os primórdios, sempre consistiu numa experiência multissensorial. E, claro está, contribuir igualmente para a escrita de mais um capítulo da sua fascinante história.

Nota

Mera nota só para informar que acrescentei uma página à entrada métodos de operacionalização do design de investigação relativa aos casos de estudo que abordo na tese (não confundir esta página com a categoria homónima dos posts, de âmbito mais lato). Isto poderá apenas interessar e ser útil (devido às hiperligações) aos futuros leitores da tese, mas não gosto de acrescentar nada ao blogue sem avisar a malta. Só não fiz isso antes porque só agora é que consolidei a escolha. Agora sim, it’s done.

Casos de Estudo abordados na tese

Quadros e figuras sinópticas que me facilitam a vidinha

Neste caso, trata-se de um quadro e de uma figura que elaborei para a tese relativos a uma área teórica particularmente sensível da videomusicalidade: os géneros.

O primeiro enumera e estabelece correspondências entre as principais concepções genológicas videomusicais defendidas por uma série de ilustres autores (as referências bibliográficas podem ser encontradas no sítio do costume):

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Apesar de serem todas distintas e discutíveis (sobretudo na sua nomenclatura), é curioso verificar a elegante correspondência entre as diversas categorias propostas por cada autor. Como é óbvio, apenas consegui chegar a essas correspondências depois de elaborar o quadro, o que demonstra a utilidade deste tipo de exercícios.

Com qual é que me revejo mais? Com todas e nenhuma, em graus distintos. As concepções de Marsha Kinder e E. Ann Kaplan são datadas e ecoam pós-modernismo por todos os poros. A de Joe Gow tem um número excessivo de categorias, que é precisamente o que a de Carol Vernallis não tem: um simples continuum que vai do narrativo ao não narrativo. Mas ambos pecam por gravitarem em torno de uma única categoria genológica: a performance (Gow) e a narratividade (Vernallis). Por fim, a proposta de Diane Railton e Paul Watson seria para mim a ideal (já a utilizei, por exemplo, aqui), não fosse o caso de ignorar uma divisão genológica fundamental e transversal a todas as categorias supra e que é uma consequência directa da convergência do formato para a Web Social: os vídeos musicais oficiais e não-oficiais (ou vernaculares).

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Criei esta figura para ilustrar a evolução cronológica destas duas categorias genológicas videomusicais. Se na era da MTV, os vídeos vernaculares eram residuais e de circulação limitada (cheguei a falar nisso aqui), a tendência cada vez mais visível é que a produção vernacular irá dominar o universo videomusical digital.

E pronto, era isto.

Relatório #8

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Caramba, há mais de 10 meses que não escrevia um relatório aqui no blogue. Há razões para isso. Em primeiro lugar, fui submetido a uma cirurgia horrível (litotricia por laser) para dar cabo de um cálculo renal de 11mm alojado no ureter, fruto de uma deficiente hidratação pré e pós-corridas. A recuperação foi lenta e penosa: meses e meses com dores que, felizmente, não me retiraram a minha paixão pela corrida (já lá vou). Em segundo lugar, para além da escrita de dois artigos e na participação de um colóquio (sou cada vez menos fã destes eventos académicos – gosto é de ler, caramba), os preparativos de uma próxima mudança de casa tornaram as últimas semanas um corrupio de cálculos, orçamentos e decisões que nunca são fáceis de tomar.

A tese? Está boazita, obrigado. Após ter dado uma leitura geral e actualizado o documento, vou em plena redacção do quinto (e penúltimo) capítulo e já vejo uma luzita jeitosa ao fundo do túnel. Dos cinco casos de estudos, já despachei três (e logo os mais difícieis). Neste momento, falta-me abordar mais dois casos (ou apenas um, pois ainda não sei se se justifica o quarto) e, claro, o capítulo final, isto é, a conclusão. Deve ser difícil ter uma primeira versão completa da tese até ao final do ano, mas penso que a coisa não passa de Janeiro. Escrever isto até me faz tremer os dedos: o final desta odisseia nunca me pareceu tão próximo.

A partir de agora podem começar a tratar-me por “maratonista”. É verdade, consegui finalmente: uma maratona está no papo. Participei e concluí no passado dia 28 de Outubro a 9.ª edição da Maratona do Porto. Não me perguntem como, que não sei. Para além de estar longe do meu pico de forma (estive engripado nas duas semanas anteriores à prova), estava uma ventania descomunal no dia da maratona. Contei com a ajuda de um bacano chamado Miguel Paiva (que correu ao meu lado) e da minha querida Manela que, a partir do km 30, nos acompanhou de bicicleta com água e mantimentos após ter feito os 16km da Family Race. Terminei em 4h46m35s (média de 6m44s por km), tempo modesto mas o grande objectivo era mesmo chegar ao fim. Se até ao km 32 as coisas correram de forma mais ou menos prevista no ritmo conservador que tinha definido (6m15s por km), depois é que foram elas. O famigerado “muro” existe mesmo e percebi-o de duas formas: no meu joelho esquerdo que estoirou e em dores lancinantes na zona da anca que se fizeram sentir dois últimos quilómetros da prova. Mas nada, absolutamente nada, foi comparável à inacreditável alegria de ter conseguido terminado aqueles 42.520 metros (segundo o meu Garmin). Percebi também que uma maratona não termina quando se cruza a meta, mas que se prolonga nos dias seguintes: febre e dores musculares que acolhi como se fossem medalhas da minha inacreditável façanha. Em Abril, talvez me meta noutra. A ver.

A corrida e a investigação sempre foram, para mim, duas faces da mesma moeda. Comecei a correr praticamente quando me meti no doutoramento e foi ao longo das corridas que resolvi muitos dos problemas com que me fui deparando ao longo da tese. Quando criei este blogue, apontei de imediato esta relação simbiótica, pelo que não me surpreende nada que tenha conseguido correr a minha primeira maratona no preciso momento em que a escrita da tese se aproxima do fim.

A minha estreia na terra da bossa

Acabo de concluir a primeira versão de mais um artigo académico dedicado aos vídeos musicais. A escrita do mesmo não estava planeada (até porque tenho uma comunicação a preparar para Maio), mas recebi há semanas um convite irrecusável para contribuir para um livro intitulado Informação e Comunicação em Plataformas Digitais: Paradigmas e Aplicações que será publicado no Brasil em 2013 pelo SENAC em parceria com a Escola do Futuro (Universidade de São Paulo) e o CETAC.Media (Universidade de Aveiro e Universidade do Porto). O referido convite partiu dos organizadores da publicação, a Professora Brasilina Passarelli (USP) e o Professor Armando Malheiro (UP), e o meu artigo explanará o modelo conceptual de difusão videomusical na Web Social que estou a desenvolver no âmbito da minha tese de doutoramento. Apesar de ainda estar na fase de releituras, deixo-vos de seguida o resumo do mesmo:

TÍTULO
A DIFUSÃO NA WEB SOCIAL: O CASO DOS VÍDEOS MUSICAIS

RESUMO
Embora seja hoje em dia relativamente consensual encarar a difusão de conteúdos nas plataformas digitais como um fenómeno sociotecnológico, isto é, como um processo social dependente das características estruturais do medium, as conceções dominantes da difusão na Web Social continuam paradoxalmente subjugadas a duas metáforas eminentemente biológicas utilizadas não apenas pela doxa e pelas indústrias da publicidade, do marketing e dos media como por uma parte considerável da comunidade científica: a dos conteúdos mediáticos virais e dos memes.
O presente artigo pretende esboçar uma análise da pertinência e das implicações da utilização das referidas metáforas e propor um modelo conceptual alternativo para a análise da difusão de conteúdos na Web Social ancorado: i) nas reflexões encetadas pelo Convergence Culture Consortium do Massachusetts Institute of Technology em torno do modelo de espalhabilidade (spreadability) da Web Social; ii) na configuração rizomática da nuvem comunicacional da Web Social; iii) na codificação textual dos conteúdos difundidos no medium; iv) numa adaptação da noção de transtextualidade literária de Gérard Genette.
Para fins argumentativos, a conceptualização do referido modelo incidirá sobre um dos formatos mais difundidos da emergente paisagem mediática digital: o vídeo musical . No entanto, será igualmente defendido o potencial de aplicação do modelo conceptual à difusão de outros formatos audiovisuais e mediáticos na Web Social.

PALAVRAS-CHAVE
Web Social, difusão, vídeos musicais, convergência.

Relatório #7

Há cerca de meio-ano que não publicava aqui um relatório. A ideia desta série mensal de posts, para além de dar conta dos progressos da escrita da tese, era sobretudo auto-disciplinadora: todos os meses, sentia-me forçado a fazer alguma coisa na investigação de forma a ter matéria para referir em cada um dos posts. O que aconteceu nos últimos seis meses é que a redacção da tese entrou numa fase vertiginosa: escrevi cerca de 150 páginas e, neste momento, terei cerca de 75% do trabalho concluído. Podem espreitar o índice da tese aqui: já tenho 4 dos 6 capítulos concluídos, faltando-me “apenas” o capítulo dedicado aos casos de estudo e a conclusão (a vermelho). O título da tese também sofreu mais uma alteração (penso que será a última) e agora dá-se pelo nome de A convergência dos vídeos musicais na Web Social: Conceptualização e Análise. Catita.

Nos próximos dois meses, no entanto, as coisas vão andar praticamente paradas no que diz respeito à redacção da tese. Tenho dois artigos para escrever em Inglês e ainda algumas tarefas a levar a cabo na Lyra ComPoetics (reformulação do portal, desenvolvimento da linha de investigação Metalyra e supervisão da criação de uma revista electrónica), pelo que, se tudo correr bem, prevejo dedicar-me ao 5.º capítulo só lá para Junho e conclui-lo antes de Agosto de forma a partir de férias com uma leveza de pluma na alma. A ver vamos.